Eberth Lins
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava um professor de uma escola particular no bairro Benedito Bentes, em Maceió, por injúria racial. O docente está sendo indiciado por injúria racial após supostamente associar um aluno negro à imagem de um chimpanzé que estampava a capa do caderno de outro estudante.
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"Foi uma investigação rápida, até porque foi uma investigação compartilhada. Os adultos e a vítima foram ouvidos na delegacia de vulneráveis e os adolescentes, as testemunhas de fato, foram ouvidos na delegacia do adolescente infrator", disse a delegada Rebeca Cordeiro, responsável pelo caso.
O caso foi registrado por uma câmera de segurança e as imagens foram amplamente compartilhadas em grupos de conversas.
"As imagens são a prova material inabalável. Apesar de não haver áudio, toda a cena mostra a ação do jovem, do professor e o constrangimento da vítima, que é visível. Tudo isso são provas extremamente contundentes", acrescentou Rebeca Cordeiro.
Conforme a delegada, o caso envolve o agravante de prática com intuito de recreação. "Para a lei, a brincadeira qualifica o crime. Se é diversão e nem todos riem, não é diversão. Não se faz brincadeira ofendendo ninguém", pontuou.
"O professor tinha a obrigação de parar a brincadeira. Dar até uma lição de moral, se fosse o caso. Ao invés disso, ele resolveu apontar para um aluno, gerando um trauma muito difícil de superar", complementou a delegada.
A pena prevista varia de dois a cinco anos de reclusão, com aumento de um terço devido ao racismo praticado como recreação.
"Como a gente vive numa sociedade racista, a gente precisa ser muito cuidadoso com nossos atos e ações. Vem de uma bagagem cultural extremamente triste determinadas colocações e brincadeiras. Ah, mas é brincadeira, brincadeira pra quem?", alertou a autoridade policial.
O vídeo que fundamenta a investigação mostra o professor cometendo a injúria racial. Nele, sem áudio, é possível ver um estudante mostrando a capa do caderno com um chimpanzé e perguntando ao docente com quem o animal se parecia. O professor logo aponta para um aluno negro de 13 anos, sugerindo a semelhança. Segundo o relato da vítima à polícia, o professor teria dito “parece com esse aqui”; assista ao video:
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