Programa de Melhoramento Genético em Alagoas torna-se referência nacional

Publicado em 23/01/2016, às 14h42
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Redação

O Programa de Melhoramento Genético de bovinos, implantado há pouco mais de um ano no Estado, já apresenta resultados significativos no aumento da produtividade do rebanho leiteiro de Alagoas, tornando-se modelo para ações desenvolvidas em outras regiões do Brasil. Desde o lançamento do projeto, executado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca, e Aquicultura (Seagri), mais de dois mil embriões foram viabilizados para pequenos criadores, projetando uma nova realidade genética no rebanho alagoano.

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O programa é resultado de uma parceria entre o Governo de Alagoas, Sebrae-AL e as empresas In Vitro Brasil e Nordeste In Vitro, a partir da decisão do Estado em incentivar a biotecnologia da Fertilização In Vitro (FIV). Junto com a inseminação artificial e transferência de embriões, a FIV compõe as técnicas que intensificam o melhoramento genético na pecuária alagoana. Com a atuação da Seagri, o custo para o pequeno produtor torna-se acessível, permitindo que ele invista na melhoria do seu rebanho.

De acordo com o mais recente balanço da Seagri, 5.022 receptoras receberam os embriões pelo programa de Fertilização In Vitro (FIV). Até novembro de 2015 haviam sido confirmadas 2.069 prenhezes, número que pode chegar a 2.129. A média de sucesso na fertilização, segundo o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri e responsável pelo programa, Hibernon Cavalcante. “Estamos recebendo embriões de doadoras de rebanhos consagrados pela excelência na qualidade genética do Sudeste e Sul do Brasil, como também, dos melhores touros do mundo, dos grandes laboratórios de sêmen”, atesta Cavalcante.

Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Domício Arruda, a partir do sucesso verificado em 2015, com o dobro de prenhezes registradas em 2014, o Programa de Melhoramento Genético em Alagoas pode ser considerado referência nacional. “Esse é um programa que nasceu aqui e hoje é usado como modelo em diversos estados brasileiros. Ele possibilita um ganho rápido para o produtor tanto em termos de produtividade, com uma quantidade maior de leite por animal, quanto no número de fêmeas nascidas a partir dessas fertilizações, que chega a 85%”, explicou.

Na avaliação do secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Vasconcelos, o êxito do programa é confirmado pelos próprios criadores. “A técnica já está beneficiando o produtor e, em médio prazo, será possível multiplicar essa genética utilizando os animais originados deste programa como doadores, no aprimoramento da nossa pecuária leiteira. Esse é o maior programa de melhoramento genético executado no Brasil e vai beneficiar toda a cadeia do leite no Estado, uma vez que as indústrias também poderão contar com um volume maior de leite”, observa o secretário.

“A Seagri também vem capacitando veterinários e produtores nas técnicas utilizadas, garantindo mão de obra qualificada para o programa. É um programa que trabalha a inclusão produtiva, oferecendo ao pequeno criador a oportunidade de produzir tanto quanto o grande e disputar o mercado de igual para igual. Com isso, toda a cadeia produtiva e todo o Estado de Alagoas saem ganhando”, destaca Vasconcelos.

O agricultor Thiago Silva de Melo, do município de Jacaré dos Homens, um dos contemplados com os embriões do Programa de Melhoramento Genético, diz estar satisfeito e otimista com a chegada da técnica em Alagoas. “A possibilidade de ter um rebanho selecionado, com um baixo custo, pra nós produtores de pequeno porte, é um sonho que estava distante e se torna realidade”, avalia o produtor, que já sente os efeitos dessa técnica em sua criação.

Inseminação

No último dia 11, a Seagri recebeu quatro mil doses de sêmen da empresa Semex, extraídas de quatro touros das raças holandesa, girolando e gir. O sêmen será distribuído em 20 comunidades da Bacia leiteira, Baixo São Francisco, Médio Sertão e Agreste, beneficiando 600 pequenos criadores e dando a oportunidade para que eles passem a integrar o ranking dos maiores produtores de leite de Alagoas. O investimento do Estado nessas quatro mil doses de sêmen foi de R$ 60 mil.

Na avaliação do presidente da ACA, Domício Arruda, a inseminação artificial configura-se como um complemento fundamental às demais técnicas de fertilização. “Com a inseminação, o produtor tem um ganho genético substancial em médio prazo, com animais que garantem uma maior produtividade ao seu rebanho. Ele também recebe o incentivo para melhorar o manejo do gado, tendo mais cuidado com seus animais. Com a continuidade do Programa de Melhoramento Genético em 2016, temos a certeza de que o Estado de Alagoas voltará em breve a integrar a lista dos grandes produtores de leite do Brasil”, diz Arruda.

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