Projeto de lei quer exigir CPF para acessar a internet

Publicado em 11/10/2016, às 08h15

Redação

Proposta em tramitação na Câmara dos Deputados cria o cadastro nacional de acesso à internet. O projeto de lei (PL 2390/15), de autoria do deputado Pastor Franklin (PTdoB-MG), altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para dificultar o acesso dos menores de idade a conteúdos inadequados na internet.

LEIA TAMBÉM

Os provedores e os terminais de acesso à internet deverão conter aplicativos que permitam a identificação do usuário a cada conexão. Caso o usuário não conste do cadastro nacional ou não seja maior de 18 anos, o acesso a sites com conteúdo inadequado terá de ser automaticamente bloqueado.

Pastor Franklin diz que a medida pode inibir o acesso a conteúdos inadequados para crianças, como sites pornográficos. "O que quero com esse cadastro é que haja um aplicativo em todos os tablets, computadores e celulares para que, ao entrar na internet, a pessoa coloque uma senha ligada ao CPF e ao RG, identificando automaticamente a idade”, explicou.

A proposta prevê multas de R$ 1 mil a R$ 20 mil em caso de descumprimento das normas, inclusive com a possibilidade de exclusão da internet de conteúdo impróprio para menores de idade.

Contrários

O Instituto Beta para Internet e Democracia, diferente do autor do projeto, vê a ação como uma caminho para reduzir direitos e alavancar o “vigilantismo” na internet. “A pretexto de restringir o acesso infantil a conteúdo inapropriado, qualquer pessoa que não esteja cadastrada teria o acesso à internet como um todo bloqueado, independente da idade”.

Ele alega que os PLs fazem a referências genéricas sobre o que seriam conteúdos inapropriados, sem uma determinação sobre os critérios para a classificação nem delimitação do agente competente para fazê-la. “Abre espaço para decisões arbitrárias que põem em risco a liberdade de expressão e de comunicação de todos os cidadãos brasileiros. Pela redação atual do PL, qualquer conteúdo publicado na internet estaria passível de ser censurado para crianças e adolescentes, o que poderia atingir conteúdos relevantes de cunho político e social, como discussões e informações sobre questões de gênero e sexualidade”, alega o Instituto.

Segundo a Folha, o texto estava para ser aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) do dia 5 deste mês, mas houve pedido de vista dos deputados André Figueiredo (PDT-CE), João Daniel (PT-SE) e Sandro Alex (PSD-PR). Antes de seguir para o plenário, o projeto deverá ser aprovado também pelas comissões de Seguridade Social e Família (CSSF) e Finanças e Tributação (CFT).

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes sociais Câmara aprova novo percentual mínimo de cacau para chocolate Síndrome causada por diabetes faz jovem de 18 anos ter aparência de criança Tenente-coronel humilhava e chamava esposa morta de ‘burra’, dizem mensagens: 'lugar de mulher é em casa, cuidando do marido’