Eberth Lins
“Às vezes, as pessoas chegam e perguntam se é mais um julgamento. Não é assim, mais um julgamento. É o julgamento. O julgamento para responder uma família que está enlutada, que carrega uma dor que mexe com ela a cada dia. É a mãe, é o filho que ficou órfão. São os irmãos, porque a Mikaele era a mais nova de uma família de quatro irmãos. E a comunidade do Vergel, lá onde ela morava, essa família, aguarda uma resposta. O réu alega ser inimputável. Só que não procede essa alegação, porque foi instaurado um incidente de insanidade mental para verificar o estado de saúde mental dele”, refletiu a promotora de Justiça Adilza de Freitas.
Albino dos Santos tirou a vida da mulher porque, segundo consta nos autos, ela deixou de atender às suas investidas para reatar o relacionamento. Inconformado, ainda segundo a acusação, ele teria surpreendido Mikaele pelas costas, impedindo qualquer possibilidade de defesa e provocando a morte ainda no local.
“E o médico psiquiatra, ao avaliar, constatou que ele é imputável. Ele não é inimputável. O que quer dizer isso? Que ele tem plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de se determinar de acordo com esse entendimento. Em suma, ele não é louco. Ele tem uma inteligência acima da média e usa do disfarce de uma pessoa boazinha. Ele é conquistador”, afirma a promotora.
A acusação tem alegado que o comportamento de Albino se apresentar como uma pessoa tranquila e “boazinha” faria parte da maneira como ele se aproxima e conquista a confiança das vítimas.
“Ele acredita que não vai ser descoberto pelos seus atos criminosos. Agora, por trás dessa aparência de pessoa boazinha, voz mansa, esconde um coração maligno, um coração cruel, perverso, que é incapaz de ter empatia com o próximo, é incapaz de amar alguém. Então, quando ele se aproxima das suas vítimas, não é buscando amor, mas sim, como ele disse, um troféu. É um troféu. Ele sente prazer em matar. No caso da Mikaele, ele não foi diferente, e a gente espera a condenação dele por esse bárbaro crime", complementa a promotora.
Mikaele Leite foi assassinada nas proximidades da Padaria do Tenório, no Conjunto Joaquim Leão. Albino Santos de Lima foi preso em 2024 e, até o momento, condenado a mais de 175 anos de prisão.
O Ministério Público defende que Albino é um criminoso frio e calculista que há comprovação de que seus crimes eram detalhadamente planejados, inclusive com a criação de pastas contendo a identidade das vítimas e as datas nas quais ocorreriam as execuções.
Mesmo negando as autorias durante os julgamentos, em agosto de 2026 Albino dos Santos assumiu, em uma reportagem nacional, os crimes. A última condenação do “serial killer”, a oitava, aconteceu no dia 15 de maio de 2026, quando ele foi sentenciado a 29 anos e um dia de prisão pela morte de José Ilso Siqueira Filho. Esse foi assassinado porque, segundo a acusação, Albino teria desenvolvido fascínio por sua companheira e o teria eliminado com o intuito de alcançar suas pretensões.
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