Tulio Kruse / Folhapress
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra, o preso Marco Willian Herbas Camacho -o Marcola, líder máximo do PCC- e outras quatro pessoas sob acusação de crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro nesta quarta-feira (10).
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A acusação é desdobramento da Operação Vértix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital. A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza, suspeito apontado como operador financeiro do esquema.
Um irmão e dois sobrinhos de Marcola -Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e seus filhos, Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches- também foram denunciados.
À época da operação tanto os advogados de Marcola quanto os representantes legais de Deolane negaram as suspeitas apontadas pela investigação. A reportagem procura novamente contato com a defesa dos denunciados.
Bruno Ferullo, que defende Marcola, seu imão e uma sobrinha, afirmou no mês que o cliente não coordena a facção de dentro da cadeia, como apontam as autoridades. A advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane, disse à época que a investigação estava "cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos".
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2019 COM APREENSÃO DE BILHETES
A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos pela Polícia Penal em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, com dois presos.
Segundo a polícia, a análise do material apreendido possibilitou a identificação de ordens internas do PCC, contatos com integrantes da alta hierarquia e menções a atos violentos contra servidores públicos.
Um dos trechos analisados mencionava uma "mulher da transportadora" que teria sido responsável pela informação de endereços de agentes públicos alvos de ataques planejados.
Um segundo inquérito procurou identificar quem é essa mulher e qual a relação dela com a transportadora do PCC. Os investigadores chegaram a uma empresa de transportes de Presidente Venceslau que seria usada para lavagem de dinheiro.
Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.
Transportadora movimentou R$ 20 milhões
Ainda segundo a investigação, a transportadora, apesar de estar no nome do casal Ciro e Elidiane, foi criada pelo próprio PCC e é dirigida por Marcola e Alejandro. No período investigado, a transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões, um valor considerado incompatível com as receitas declaradas.
O casal já foi condenado na Justiça e é considerado foragido. Segundo a polícia, estão escondidos na Bolívia e são alvos de mandados de prisão.
Marcola determinava as providências, traçava estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora, diz o inquérito. As ordens eram transmitidas por terceiros. Seu irmão
Alejandro dirigia a empresa e determinava a compra de caminhões. Segundo a investigação, Paloma Camacho recebia as ordens do pai em visitas no sistema penitenciário federal e repassava a Ciro, segundo a polícia. Ela também controlava a parte do dinheiro que destinava ao pai e orientava a divisão e a transferência dos valores.
O irmão dela, Leonardo Camacho, seria um dos beneficiários da divisão dos lucros da facção. Ele recebia 30% dos valores por ordem do pai.
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