PSDB, DEM e PPS decidem permanecer na base aliada do governo Temer

Publicado em 22/05/2017, às 10h10

Redação

Depois do encontro, que reuniu 17 ministros, 23 deputados e 6 senadores de diversos partidos, alguns dos participantes afastaram o risco de debandada da base aliada.

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Mais cedo, PSDB, DEM e PPS já haviam cancelado uma reunião, prevista para domingo de tarde, em que discutiriam a possível saída do governo.

Participaram do encontro com Temer no Alvorada, por exemplo, os ministros tucanos Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), assim como o novo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati.

Do PPS, esteve presente o ministro da Defesa, Raul Jungmann.

Já o DEM foi representado pelo presidente do partido, senador Agripino Maia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o líder da bancada na Câmara, deputado Efraim Filho, e o ministro da educação, Mendonça Filho.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB) também participou e, junto com Rodrigo Maia, manifestou lealdade e compromisso com a pauta do governo no Congresso.

Já Temer voltou a repetir no encontro que não pretende renunciar.

"O resultado foi extremamente positivo para mostrar que o presidente tem base e tem estabilidade no Congresso Nacional", disse à BBC Brasil Efraim Filho. "Não estamos cogitando sair (do governo)", acrescentou.

A declaração indicou uma mudança de tom após a reunião. Mais cedo, no domingo de tarde, Efraim havia dito que o partido ainda iria aguardar os próximos dias para avaliar a permanência no governo.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também manifestou confiança na união da base e disse que a reunião serviu para todos os partidos manifestarem seu compromisso com o avanço das reformas no Parlamento.

Ao ser questionado pela BBC Brasil se estava descartado o risco de debandada dos três principais partidos aliados do governo Temer, respondeu:

"A avaliação que nós fizemos foi de uma reunião extremamente positiva, com a afirmação de todos esses partidos que estavam presentes em dar a sustentação necessária para que o governo e o Congresso Nacional possam continuar trabalhando no sentido daquilo que o país precisa: avançar nas reformas, avançar na agenda política e econômica, para que o país possa voltar a crescer e voltar a gerar empregos".

Apesar dessas declarações, há dissidentes dentro desses partidos que, diante de denúncias graves contra o presidente, devem continuar pressionando pela saída do governo.

Um dos desdobramentos mais aguardados é o resultado da perícia que está sendo feita pela Polícia Federal para detectar se houve ou não edição na gravação divulgada da conversa entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista.

Nesse domingo, a PF disse que não há prazo para concluir a perícia e solicitou ao ministro do STF Edson Fachin acesso ao gravador usado por Batista. Segundo a polícia, a análise do equipamento é fundamental para que se possa avaliar a integridade do áudio.

Já na quarta-feira, o plenário do Supremo analisa o pedido da defesa de Temer para que o inquérito autorizado por Fachin contra o presidente seja suspenso até que a Polícia Federal conclua a perícia.

O presidente, assim como o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado Rocha Loures (PMDB), está sendo investigado por obstrução de justiça e corrupção passiva.

A gravação, incluída na delação da JBS, supostamente mostra Temer incentivando Batista a manter boa relação com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que hoje está preso pela Operação Lava Jato. Também parece mostrar Temer assentindo condutas ilegais narradas por Batista, como suposta compra de juízes e um procurador federal.

Além disso, na conversa, Temer indica o deputado Rocha Loures como seu interlocutor de confiança para Batista tratar eventuais demandas com o governo. Depois disso, Batista gravou negociação com o deputado para pagamento de propina em troca de decisão favorável ao grupo JBS no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Em acordo com o empresário, a polícia filmou a entrega da primeira parcela, de R$ 500 mil.

Temer disse neste sábado que Batista é "conhecido falastrão" e que não acreditou nos crimes que ele narrou ter cometido. O presidente também afirmou que o Cade não tomou qualquer decisão favorável à JBS após sua conversa com Batista.

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