Galileu
Dois terremotos que atingiram a Venezuela na noite dessa quarta-feira (24), com magnitudes de 7,2 e 7,5 e intervalo inferior a um minuto , deixando ao menos 164 mortos, centenas de feridos e um rastro de destruição em Caracas, La Guaira e outras regiões do país.
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Considerado pelo USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) como o mais forte abalo sísmico a atingir o território desde 1900, o desastre também pode provocar perdas financeiras de aproximadamente 1% a 7% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, de acordo com estimativas preliminares da agência.
Esse cálculo levou o USGS a emitir um alerta vermelho para prejuízos econômicos e fatalidades, classificação reservada a eventos com potencial para causar destruição generalizada e exigir ampla mobilização de recursos nacionais e internacionais. As projeções indicam que os danos à infraestrutura, às moradias e aos serviços públicos poderão representar um dos maiores impactos econômicos associados a um desastre natural na história recente do país.
Por trás das estimativas
As projeções de perdas foram elaboradas pelo sistema PAGER, ferramenta utilizada pelo USGS para estimar rapidamente os possíveis impactos humanos e materiais de grandes terremotos ao redor do mundo. Como destaca a BBC, o modelo considera fatores como a magnitude do tremor, a profundidade do epicentro, a intensidade das vibrações registradas na superfície e o número de pessoas expostas ao evento.
Basicamente, o cálculo leva em consideração diversos fatores, incluindo a magnitude do terremoto, a profundidade em que ele começou, a intensidade do tremor e a população da área que pode ter sido afetada. A partir dessas informações e da comparação com terremotos semelhantes registrados anteriormente, o sistema produz estimativas preliminares sobre danos materiais e perdas humanas.
Vale destacar, no entanto, que o próprio USGS ressalta que esses números podem ser revisados à medida que as equipes de campo obtêm dados mais precisos sobre a extensão da destruição. Ou seja, as previsões podem mudar tanto para mais quanto para menos.
Prejuízos elevados
Parte da explicação para o tamanho das estimativas está na vulnerabilidade das construções localizadas na área afetada. O USGS informa que uma parcela significativa da população da região vive em edificações de alvenaria sem reforço estrutural ou construídas com adobe, materiais que apresentam menor resistência a tremores intensos.
As maiores intensidades sísmicas foram registradas em áreas densamente povoadas da região centro-norte da Venezuela. Somente em Caracas, mais de 2 milhões de habitantes foram expostos a níveis de tremor classificados como fortes pela Escala Modificada de Mercalli, sistema utilizado para medir os efeitos sentidos pela população e os danos observados em edificações.
Para além da capital, cidades como La Guaira, Catia La Mar, Puerto Cabello e San Felipe também figuram entre as localidades mais impactadas. Essa primeira, inclusive, aparece c como a área mais severamente atingida. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, classificou o estado como uma “zona de desastre” após o desabamento de dezenas de edifícios.
Impactos econômicos vão além da reconstrução
As perdas estimadas pelo USGS referem-se principalmente aos danos estruturais provocados pelo terremoto, como destruição de prédios, residências, estradas e equipamentos públicos. Especialistas destacam, porém, que o impacto econômico real costuma ser mais amplo.
Graças à interrupção de atividades comerciais, aos custos de reconstrução, à paralisação de serviços essenciais e aos prejuízos causados ao transporte e à logística, os efeitos do desastre tendem a ser prolongados por meses ou até anos.
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