Flávio Gomes de Barros
A candidatura de membros de uma mesma família para mandatos diversos em cargos públicos é algo que tem ganhado intensidade a cada eleição.
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Temos instaladas, Brasil afora, verdadeiras capitanias hereritárias com fins políticos e, naturalmente, financeiros - bancadas, evidentemente, com recursos do erário.
E cresce, por conta disso, a concentração de poder em torno de privilegiadas famílias.
Naturalmente que Alagoas não foge a essa regra - muito pelo contrário.
Daí ser bastante oportuna, nessa fase pré-eleitoral, uma crônica de Marcos Vieira Savall, Procurador do Estado radicado há anos em nossas terras caetés, que é transcrita a seguir:
"O candidato subiu no palanque, deu duas batidinhas no microfone para ver se estava funcionando direito e olhou para a multidão suada lá de baixo:
— Meu povo! — mão direita no peito. Chegou a hora do futuro! Precisamos de esperança pra devolver a dignidade a cada cidadão. Prometo a vocês uma verdadeira transformação, com muita transparência e honestidade!
O discurso foi impecável, daqueles de registro em cartório.
A praça aplaudiu e ele emendou satisfeito:
— Por isso, meus amigos, peço o voto de cada um de vocês. Votaram em mim pra prefeito e em meu filho pra vereador. Agora é hora de votar em minha esposa pra deputada estadual; em minha mãe, deputada federal, e no meu pai, que vai disputar o Senado. Vote no nosso número e ajude a manter o compromisso de quatro décadas de nossa família com essa cidade. Porque o trabalho não pode parar!
Mais ao fundo, encostado no poste, o bebum da cidade comentou com o caramelo:
— Realmente... pena que pra esse serviço só aceitam o mesmo sobrenome."
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