Quarto perfeito: veja o que não pode faltar para criar um refúgio pessoal

Publicado em 22/01/2026, às 17h30
- Um dormitório deve refletir o modo de vida de quem o habita, bem como suas ideias de pessoalidade, pausa e quietude (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Rafael Renzo)

Redação EdiCase

O quarto deixou de ser apenas um cômodo para dormir. Em tempos de rotinas intensas e hiperconectividade, esse ambiente se tornou o último reduto de privacidade e descanso dentro de casa — um espaço no qual corpo e mente finalmente encontram permissão para desacelerar. Projetar um dormitório, portanto, vai muito além de escolher uma cama confortável ou uma paleta de cores agradável; trata-se de criar uma atmosfera que dialogue com as necessidades mais íntimas de quem ali repousa.

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O arquiteto Raphael Wittmann, à frente da Rawi Arquitetura + Design, explica que um dormitório deve refletir o modo de vida de quem o habita, bem como suas ideias de pessoalidade, pausa e quietude. “O quarto é um espaço de entrega, de desconexão do ritmo acelerado e reconexão consigo mesmo. O projeto precisa transformar o cotidiano em pausa e traduzir a personalidade do morador em estímulos visuais e táteis que promovam bem-estar”, comenta.

Pensando nisso, o profissional lista os elementos essenciais que não podem faltar em um bom projeto de quarto — desde iluminação e acústica até escolhas de materiais e layout funcional. Continue a leitura e descubra quais!

O ponto de partida: medidas

Um projeto de quarto deve considerar inicialmente um layout coerente (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Alexandre Disaro)

Para Raphael Wittmann, um bom projeto de quarto começa com um layout coerente, em que a cama ocupa posição de destaque sem comprometer a circulação. “O ideal é manter a cama pelo menos 70 cm livres nas laterais, evitando bloqueios, tropeços e garantindo fluidez. Já em quartos infantis menores, pode ser interessante encostar a cama na parede para ganhar espaço extra para brincar no chão”, ressalta.

Além da disposição, as proporções ergonômicas também fazem diferença na experiência do usuário com o quarto, são elas:

“Um quarto bonito é aquele que respeita o corpo humano. A composição estética só funciona quando vem acompanhada de ergonomia e equilíbrio”, reforça Raphael Wittmann.

Camas: o coração do quarto

A cama deve ter tamanho proporcional ao ambiente (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Juliana Deeke)

Item primordial para noites bem-dormidas, a cama é o elemento que dita o restante do projeto e seu tamanho deve ser proporcional ao ambiente, por exemplo: camas king-size exigem espaços amplos, enquanto modelos queen ou de casal são mais versáteis e se adaptam a diferentes plantas. “Na hora de comprar o colchão, encare como um investimento em bem-estar, pois um modelo de densidade e suporte adequados à postura fazem toda diferença no descanso”, completa Raphael Wittmann.

Além do colchão, a cabeceira e o enxoval complementam a sensação de aconchego. Para o profissional, as cabeceiras trazem presença e conforto acústico, enquanto versões de madeira ripada ou painéis contínuos ajudam a criar unidade visual.

Para as roupas de cama, uma composição em sobreposição de tecidos cria o efeito “camadas de conforto”, principalmente quando se opta por tecidos naturais como linho e algodão que permitem a respiração da pele e regulam a temperatura, tornando o ambiente agradável em qualquer estação.

Iluminação na medida certa

A iluminação faz grande diferença nos ambientes, por isso é preciso dar atenção a ela (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Rafael Renzo)

Muitas vezes subestimadas, a iluminação é um dos elementos mais importantes na atmosfera de um dormitório. Por isso, Raphael Wittmann sugere combinar três camadas de luz quente (2700K a 3000K):

“Sempre utilizamos lâmpadas com cores quentes nos quartos, pois propiciam maior relaxamento e elegância. Recomendamos a temperatura de cor de 2700K que é a luz quente, conhecida também como luz amarela, mas também pode ser 3000K, que seria o branco morno. A luz branca fria não é recomendada para esse tipo de ambiente, a menos que haja alguma necessidade especial”, explica o arquiteto.

Para suavizar a luz natural que adentra de janelas, a combinação de cortinas com dupla camada é a mais indicada, pois permite controlar a claridade conforme o momento do dia. A combinação de persiana tipo tela solar com cortina de tecido leve também causa o mesmo efeito.

Paleta de cores

A paleta de cores do quarto deve refletir a identidade de quem dorme nele (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Juliana Deeke)

Especialista em projetos contemporâneos, Raphael Wittmann acredita que a paleta deve ser pensada de dentro para fora, refletindo a identidade de quem dorme ali. Por isso, sugere uma base em tons claros e neutros, como bege, branco, areia, cinza mais quente e verde-oliva, que evocam serenidade e ampliam visualmente o ambiente. Outras cores podem ser utilizadas de acordo com o gosto pessoal, mas devem ser acolhedoras. Para contrastar, tons mais marcantes podem ser usados pontualmente em objetos ou paredes de destaque.

“Um quarto é o espelho das emoções do morador. Se ele busca tranquilidade, uso tons quentes e suaves, mas se é alguém mais criativo, posso usar nuances de terracota, rosa, azul ou amarelo-manteiga. A cor, mais do que decorativa, é uma ferramenta emocional”, observa o arquiteto.

Mobiliário

Investir em móveis para colocar no entorno da cama pode ser uma boa forma de enriquecer o ambiente (Projeto: Rawi Arquitetura + Design | Imagem: Rafael Renzo)

O arquiteto da Rawi Arquitetura + Design também recomenda pensar no entorno imediato da cama, e alguns móveis são indispensáveis para o conforto:

“Evite o excesso de peças e priorize móveis com dupla função. Um quarto precisa respirar e o espaço livre também faz parte do conforto. O menos é mais neste caso”, finaliza Raphael Wittmann.

Por Emilie Guimarães

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