Quatro em cada dez famílias em Alagoas dependem de programas sociais, aponta IBGE

Publicado em 08/05/2026, às 10h19
A proporção alagoana ficou quase o dobro da média do Brasil, que foi de 22,7%. - Foto: Agência Brasil

Ascom IBGE

Ler resumo da notícia

O estado de Alagoas tinha, em 2025, 41,7% dos domicílios com algum beneficiário de programa social do governo, como Bolsa Família, BPC-LOAS ou outros programas sociais. O percentual colocou o estado na 4ª posição nacional, atrás apenas de Pará (46,1%), Maranhão (45,6%) e Piauí (45,3%).

LEIA TAMBÉM

A proporção alagoana ficou quase o dobro da média do Brasil, que foi de 22,7%. Em números absolutos, 477 mil domicílios alagoanos recebiam algum desses benefícios. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): rendimento de todas as fontes 2025, divulgados hoje (8) pelo IBGE.

Entre os programas investigados pela pesquisa, o Bolsa Família era o mais disseminado em Alagoas: 32,8% dos domicílios do estado recebiam o benefício em 2025. Já o BPC-LOAS alcançava 9,2% dos lares alagoanos, enquanto 9,0% recebiam outros programas sociais.
Em Alagoas, a proporção de domicílios que recebiam algum programa social do governo atingiu o maior patamar da série histórica da PNAD em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, quando chegou a 50,1% dos lares do estado.

Após esse pico, o percentual passou a recuar nos anos seguintes, caindo para 45,7% em 2021, 41,2% em 2022 e 41,1% em 2023. A partir daí, entretanto, o indicador voltou a crescer, alcançando 41,3% em 2024 e 41,7% em 2025, maior percentual registrado desde o período pós-pandemia.

O peso dos programas sociais também aparece na composição da renda. Em Alagoas, eles representaram 10,0% do rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2025, percentual acima do observado no Brasil (3,5%) e no Nordeste (8,8%). Em relação a 2024, quando essa participação era de 9,4%, houve aumento de 0,6 ponto percentual no estado.

Ao mesmo tempo, o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos perdeu participação, passando de 68,4% para 66,2% da renda domiciliar per capita entre 2024 e 2025.
Renda do trabalho e rendimento total atingem maior valor da série em Alagoas
Apesar da forte presença dos programas sociais na composição da renda das famílias alagoanas, os rendimentos do trabalho continuaram crescendo em 2025 e atingiram os maiores valores da série histórica da PNAD Contínua.

O rendimento médio mensal real da população residente com rendimento de todas as fontes chegou a R$ 2.281 em Alagoas, com alta de 5,7% em relação a 2024. Na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19, o avanço foi de 70,9%, enquanto frente a 2012, início da série histórica, o crescimento alcançou 163,1%.

Mesmo com a expansão, Alagoas permaneceu com o 4º menor rendimento médio de todas as fontes do país em 2025, ocupando a 24ª posição entre as 27 unidades da federação, à frente apenas de Ceará (R$ 2.179), Bahia (R$ 2.162) e Maranhão (R$ 2.043). O valor alagoano ficou praticamente no mesmo patamar da média do Nordeste (R$ 2.282), mas ainda distante da média brasileira, que chegou a R$ 3.367.

O rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos também bateu recorde no estado em 2025. Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento do indicador, que saiu de R$ 1.783 em 2022 para R$ 2.531 no ano passado.

Em apenas três anos, o rendimento médio do trabalho em Alagoas acumulou crescimento de 42,0%. Somente na passagem de 2024 para 2025, a alta foi de 5,8%, mantendo a trajetória de recuperação observada após a pandemia. Ainda assim, o estado registrou o 5º menor rendimento do trabalho do país, ocupando a 23ª posição nacional, acima somente de Pará (R$ 2.508), Ceará (R$ 2.394), Bahia (R$ 2.284) e Maranhão (R$ 2.228).

Mesmo abaixo da média nacional, o rendimento do trabalho em Alagoas já superou o valor médio do Nordeste. Em 2025, o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos no estado ficou acima da média regional, de R$ 2.475, embora ainda distante do registrado para o Brasil, de R$ 3.560.

Crescimento da renda não alcançou igualmente todas as faixas da população
Apesar da recuperação da renda observada nos últimos anos, Alagoas continuou entre os estados com maior desigualdade de renda do país em 2025.

O Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita – indicador que mede a concentração de renda e varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 maior é a desigualdade – ficou em 0,512 no estado. Esse foi o 6º maior índice do país, atrás do Distrito Federal (0,570), Rio de Janeiro (0,543), Rio Grande do Norte (0,540), Sergipe (0,532) e Pernambuco (0,520).

O resultado de Alagoas ficou ligeiramente acima da média brasileira (0,511) e também superior à média do Nordeste (0,503). Em relação a 2024, houve pequena redução no indicador, que passou de 0,516 para 0,512.

Os dados da renda por faixa da população ajudam a explicar esse cenário. Embora o rendimento médio mensal real domiciliar per capita em Alagoas tenha aumentado de R$ 1.380 em 2024 para R$ 1.401 em 2025, crescimento de cerca de 1,5%, a melhora não ocorreu da mesma forma entre os grupos de menor renda. Entre os 10% da população com menores rendimentos, houve queda: o valor passou de R$ 178 para R$ 168. Entre os 5% com menores rendimentos, a redução foi de R$ 110 para R$ 99.

Mesmo com a alta geral, o rendimento domiciliar per capita de Alagoas permaneceu abaixo das médias do Brasil e do Nordeste. Em 2025, o estado registrou R$ 1.401, contra R$ 1.470 no Nordeste e R$ 2.264 no Brasil.

No ranking das unidades da federação, Alagoas ficou entre os menores valores do país, acima apenas de Ceará (R$ 1.379), Acre (R$ 1.372) e Maranhão (R$ 1.231).

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

CBTU lança credenciamento para artistas, recreadores e guias de turismo para eventos especiais MPT determina investigação para apurar débitos da Sesau com hospitais e clínicas Arpen Alagoas participa do mutirão Pop Rua Jud emite mais de 120 certidões em Maceió Vídeo: colisão entre carros deixa dois feridos e veículo em chamas na BR-101