Nide Lins
No meu Instagram @nidelins fiz uma enquete: caipirinha combina com jaca ou banana? Deu empate — e, olha, justíssimo. As duas são perfeitas: docinhas na medida certa, com o teor alcoólico equilibrado pelo açúcar natural das frutas. Como a jaca não tem o ano todo, elegi minha favorita da vez. Quando a safra acabar, pulo pra banana sem sofrimento — porque também é um absurdo de boa. Quem manda bem nessas caipirinhas inusitadas é o Daniel Toledo, o Dan (@chefdantoledo), do Okàn Acarajé & Co (@okan__co). Bora provar?
LEIA TAMBÉM
Inspirado na força do Quilombo dos Palmares, o drink traz o aroma marcante da jaca madura com uma boa cachaça, muito gelo e refrescância na medida. E tem mais: acompanha um picolé artesanal de jaca que derrete no copo e transforma cada gole numa experiência ainda mais tropical e surpreendente.
A caipirinha de banana também entrega tudo: doçura que afaga o coração. Na receita, banana-prata, limão fresco, um toque de canela, açúcar e cachaça. Doce na medida, aromática e surpreendente.
Também é destaque da casa o xequeté — bebida afro à base de maracujá, gengibre, cravo e canela, com força ancestral, dessas que atravessam o tempo e carregam memória em cada gole. Na versão com cachaça, é intenso e refrescante ao mesmo tempo. Já no gin tônica, ganha um frescor vibrante: gin, água tônica e muito gelo entram na dança, criando um brinde aromático e inesquecível. Também opção sem álcool
Para comer: Okàn é um restaurante afro — anota as dicas
BALAIO DE ACARAJÉS E ABARÁS
Um combo arretado: 4 mini acarajés crocantes e 4 mini abarás macios, servidos com vatapá, caruru, picles de cebola roxa e camarões defumados. Perfeito para compartilhar sabores e boas conversas.
O abará — mesma massa do acarajé, mas cozida no vapor e embrulhada na palha da bananeira — é uma tradição baiana que encontrou morada afetiva em Alagoas. O de Dan vem temperado com pó de camarão defumado, gengibre, cebola, coentro, amendoim, castanha de caju e dendê, recheado com camarões inteiros vindos direto dos pescadores do Pontal de Coruripe. Na versão vegana, criatividade total: massa com gengibre, cebola, pimenta de cheiro, coentro, amendoim e castanha de caju, com recheio de moqueca de caju. Sabor surpreendente e cheio de ancestralidade. É axé puro.
MARUJADA- Ceviche de peixe fresco do dia, marinado no leche de tigre da casa. Um mergulho nos sabores do mar, com toque de pimentas, abacaxi maduro e leite de coco. Leve, aromático e cheio de frescor.
Conheci Dan em plena pandemia. Ele, arquiteto cheio de sonhos, viu os projetos pararem e, para não ficar parado, lembrou da sua arte antiga: o acarajé que preparava para os ensaios de Coletivo Afro Caeté. Eu, jornalista, pedi um delivery de acarajé congelado e dali nasceu amizade, fã e cliente do Ọkàn. E a acarajé continua danada de boa.
Rua Doutor Antônio Gomes de Barros 172 B
LEIA MAIS