Queda do peso reflete temor de analistas com calote argentino

Publicado em 04/09/2018, às 22h55
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Folhapress

A forte desvalorização de quase 20% sofrida pelo peso argentino na última semana é resultado mais de um pânico generalizado dos investidores e de um temor com um calote do país vizinho do que por um ataque especulativo contra a Argentina, dizem analistas.

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A venda de ativos argentinos começou depois que, na última quarta (29), o presidente Mauricio Macri pediu ao FMI (Fundo Monetário Internacional) que adiantasse US$ 3 bilhões do financiamento de US$ 50 bilhões acertado em junho. Até agora, já foram liberados US$ 15 bilhões.

O dinheiro seria usado para o governo a cumprir seu programa financeiro de 2019.

A intenção de Macri era assegurar a investidores que honraria compromissos, mas o efeito obtido foi o oposto: o mercado encarou como um atestado de que a Argentina estaria perto da insolvência.

Para conter a volatilidade, o governo aumentou a taxa de juros de 45% para 60% ao ano, anunciou um novo imposto sobre as exportações e cortou o gabinete à metade.

As medidas não foram suficientes para acalmar o mercado e, apesar de nova intervenção do Banco Central, com a venda de US$ 358 milhões, o peso fechou a 39,3 ante o dólar.

A velocidade da desvalorização surpreende, mas é difícil afirmar que o país está sendo vítima de um ataque especulativo, diz Alex Schober, analista para Argentina do Frontier Strategy Group.

"Há uma chance de ser o caso, porque 20% de queda nesse período é algo quase sem precedentes para a Argentina, nos últimos anos", diz. Mas ele não descarta que seja apenas pânico dos investidores.

"Uma vez que começa a ter uma venda forte, começa a haver efeito cascata. Quem não está vendendo se sente tolo."

Os investidores olham a inflação elevada e a necessidade de adotar medidas de austeridade fiscal, mas não têm certeza de que os legisladores argentinos estão comprometidos em resolver a situação. O país terá eleições em 2019.

Edward Glossop, economista de mercados emergentes da Capital Economics, diz que uma parte das fortes vendas pode ser atribuída a um ataque especulativo. "Uma moeda não cai 17% em dois dias."

Para ele, a Argentina tem que adotar medidas para conter os gastos. "Estávamos esperando que a solução viesse dos gastos, do corte de salários elevados, dos gastos em programas sociais", ressalta.

Em relatório, o banco suíço Julius Baer diz haver pouca esperança de que a Argentina conseguirá escapar da recessão em 2018. Para a instituição, a desvalorização do peso não foi inesperada, embora se diga surpresa com a velocidade com que ocorreu.

Nesta terça, o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, se reuniu com a presidente do FMI, Christine Lagarde, para discutir ajustes no acordo. Até a conclusão desta edição, não foi divulgado o resultado do encontro.

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