Quem é o ex-prefeito denunciado por estupro contra servidora em festa

Publicado em 31/01/2026, às 17h42
Ademário Silva Oliveira - Reprodução/Instagram

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O ex-prefeito de Cubatão (SP) Ademário Silva Oliveira (PSDB) foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por estupro contra uma ex-servidora da prefeitura. A defesa de Ademário nega as acusações.

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O que aconteceu

Segundo a denúncia, o crime teria acontecido em outubro 2020 em um bar onde a vítima comemorava seu aniversário. Na época, Ademário era prefeito e, a vítima, servidora em uma secretaria. Segundo o relato da mulher, durante a festa, ela se dirigiu ao banheiro masculino porque o feminino estava cheio. Ela contou que foi surpreendida por Ademário ao sair do banheiro e empurrada de volta para dentro do local. O UOL teve acesso à investigação e à denúncia.

Com força física, Ademário levantou o vestido da vítima, segundo a promotoria. De acordo com a denúncia, o então chefe do Executivo tocou nos seios, pernas e nádegas da ex-servidora. "Tudo contra a vontade da ofendida", diz trecho do documento. O ex-prefeito ficou à frente da gestão da cidade pelo PSDB por dois mandatos, entre 2017 a 2024.

O ex-prefeito empurrou a mulher para cima do vaso sanitário, diz a denúncia. "A vítima então teve que utilizar força física para se desvencilhar do denunciado [Ademário] e deixar o local", diz o Ministério Público. O caso está em segredo de Justiça. A ex-servidora pediu exoneração do cargo em junho de 2024.

A denúncia do MP se baseia em uma conversa gravada entre Ademário e a vítima. A mulher foi chamada pelo então prefeito para uma reunião em seu gabinete, na qual Ademário lhe ofereceu um cargo comissionado. Durante a conversa, ele se referiu ao caso como "imprudência".

A conversa entre eles ocorreu em junho de 2021. Segundo os áudios, aos quais o UOL teve acesso, no meio da reunião sobre o cargo que estava sendo oferecido, a então servidora questiona Ademário sobre o que teria ocorrido no dia do aniversário. "Mas o que aconteceu naquele dia lá? Você meio que me empurrou para dentro do banheiro, eu fiquei assustada."

O ex-prefeito alega que bebeu. "Peço desculpas pela postura, mas, de fato, quando você bebe, você acaba...", disse ele. "Fiquei assustada, confesso. Não estou acostumada com esse tipo de, como eu posso dizer? Sempre trabalhei com homem, então, nunca tive isso. Fico até meio assim", afirmou a vítima na gravação.

Na sequência, Ademário fala em "química sexual". "A gente tinha uma química sexual, mas graças a Deus, você foi prudente", afirmou o ex-prefeito. A vítima responde que não é de seu perfil "receber esse tipo de ação". Ademário, então, afirma que foi "imprudência" e pergunta se ele estaria desculpado. Ela responde que não e diz que "nunca deu entrada" a ele para isso.

O ex-prefeito entregou celular à polícia, mas aplicativos tinham sido apagados. O UOL apurou que a perícia constatou que Ademário apagou aplicativos de mensagens do celular antes de entregá-lo.

A defesa do ex-prefeito disse que discutirá nos autos a veracidade do áudio. Para a reportagem, o escritório Octavio Rolim Advogados Associados, que representa Ademário, disse que não foi apresentado o aparelho usado para gravar "a suposta conversa". "Iremos discutir nos autos a confiabilidade, veracidade e legitimidade da prova", afirmou.

Os advogados argumentam ainda que ele não foi indiciado pela polícia. "Os fatos ora narrados na denúncia serão devidamente analisados pelo Poder Judiciário, a quem compete a apreciação do caso com a profundidade e o rigor que a matéria exige. Contudo, desde já, afirmamos de forma categórica e inequívoca a inocência de Ademário", diz nota divulgada pelo escritório.

Outra conversa gravada

Em outra conversa, o ex-prefeito ligou para a vítima para questionar se ela havia espalhado um boato sobre o suposto envolvimento íntimo dele com outras servidoras. O diálogo ocorreu em agosto de 2022 e foi gravado pela mulher. Na conversa, Ademário diz que tomou conhecimento por meio de uma pessoa que a mulher teria dito que havia um vídeo dele tendo relações sexuais com duas funcionárias da prefeitura. O UOL também teve acesso a essa ligação.

A vítima negou ter espalhado esse boato. Na ligação, ela diz que, se tivesse espalhado qualquer informação, seria sobre o episódio de outubro de 2020, e não sobre outras pessoas. "[Você] deveria estar preocupado quando você tentou fazer aquelas coisas comigo, quando você tentou me estuprar, me forçar, me pegar à força naquele dia. Não me sinto bem em estar falando porque eu passo por psicólogo."

O ex-prefeito a interrompe e diz que "discussão é secundária". "A pessoa que falou [que ela espalhou o boato] falou que sustenta, inclusive, na sua frente, mas acho que essa discussão é secundária", disse ele na ligação gravada. "Não quero entrar nesse diálogo contigo que aí eu acho que é muito ruim eu colocar o meu ponto de vista e o seu, mas, enfim, eu não te liguei para isso."

A vítima afirma então no telefonema que ele a segurou à força, e Ademário diz que não está preocupado. "Falo do fundo do meu coração, eu tenho consciência dos meus atos. Quando eu entrei no banheiro dos homens, você estava saindo. Eu bebi, mas não estou discutindo isso, a pauta não é essa", disse o prefeito. "Eu tenho certeza que não fiz isso. Não estou preocupado com isso", afirma ele.

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