Quem era o militar reformado que morreu após ser forçado a beber ácido em assalto

Publicado em 23/06/2025, às 10h28
- Acervo pessoal

g1

Esforçado, pai de família e querido por muita gente. Esse era o perfil de Tiago Nicolau, que morreu aos 30 anos, em Leme (SP), depois de ter sido agredido e forçado a beber um ácido durante um roubo.

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A violência sofrida por ele, um militar reformado, aconteceu em 10 de junho – a morte foi confirmada oito dias depois da internação, na Santa Casa da cidade do interior paulista. Houve registro de lesões graves na boca, língua, faringe e esôfago.

Além do uso do ácido, dois assaltantes o teriam agredido durante o crime. O carro de Nicolau foi levado pelos criminosos, assim como o celular, e ainda não foram recuperados. Ninguém foi preso pela polícia até o momento.

Nesta segunda-feira (23), a SSP informou que "a Polícia Civil permanece em diligências e realizando todas as medidas cabíveis para elucidar o caso".

O corpo da vítima foi enterrado na última sexta-feira (20) no Cemitério Municipal São João Batista, em Leme.

Militar reformado e cheio de planos

Nicolau chegou a ser militar da Força Aérea Brasileira (FAB) quando mais jovem.

Em um processo judicial dele contra a União, o desembargador Wilson Zauhy mencionou a saída do rapaz das fileiras da FAB com base em um problema de visão, diagnosticado em inspeção de saúde da própria Aeronáutica no início de 2015.

"Em que pese o Laudo Pericial Judicial produzido nos autos afirmar que não há como comprovar se houve o nexo de causalidade entre a moléstia e prestação do serviço militar, certo é que o autor foi diagnosticado com neurite óptica e cegueira total do olho esquerdo", afirmou o desembargador.

Nos últimos anos, apesar da deficiência visual, ele vinha trabalhando como motorista de aplicativo. O representante de uma das plataformas que Nicolau prestou serviços contou à reportagem que o rapaz contribuiu bastante no início da empresa e era uma pessoa tranquila.

Amiga dele, a advogada Luana Sampaio publicou nas redes sociais que o morador de Leme era "um cara de coração gigante, cheio de planos" e com um "amor que transbordava" pela filha pequena.

"O que me corta o coração é que no dia em que tudo aconteceu tínhamos marcado de tomar um café, algo tão simples, você não apareceu. Aquele café nunca aconteceu. E agora ficou a xícara cheia de tudo o que ficou por dizer, por viver, por contar", lamentou.

Ela ainda escreveu que "é difícil respirar sabendo que a maldade calou a voz de alguém que só espalhava amor, alegria e verdade por onde passava".

Nas redes sociais, familiares e pessoas próximas também são unânimes em pedir providências ao caso. "Nos tiraram até a despedida dele. Caixão lacrado e enterro. A justiça dos homens pode ser falha, mas a justiça de Deus não", publicou uma prima da vítima.

De acordo com informações do boletim de ocorrência, a PM soube do caso quando foi acionada para ir até o hospital. A vítima foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros na estrada municipal Prefeito Dr. Sebastião Jair Mourão.

Ainda conforme o B.O, Nicolau foi encontrado por um trabalhador de uma usina, contou que foi rendido por volta das 14h por dois assaltantes e levado para a área rural, onde teria sido agredido e obrigado a ingerir o líquido, posteriormente comprovado como um ácido.

A esposa da vítima contou aos policiais que o marido teria saído dizendo que iria até a casa da mãe para lavar o carro e que ele não retornou mais.

Segundo a polícia, os assaltantes fugiram levando o celular e um veículo modelo Renault Sandero de cor prata.

O caso foi registrado como roubo.

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