Revista Crescer
Para muitas mulheres que estão tentando engravidar, o cafezinho do dia a dia vira motivo de dúvida. Será que o consumo da bebida pode interferir na fertilidade ou basta consumir com moderação?
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Para ajudar a responder essa pergunta, especialistas comentam qual é a quantidade de cafeína considerada segura para tentantes e se é preciso cortar ou só moderar o consumo do café.
Quem quer engravidar pode beber café?
Sim. Em geral, mulheres que estão tentando engravidar podem consumir café com moderação. De acordo com o ginecologista e obstetra Roberto de Azevedo, a maioria dos estudos científicos realizados até o momento não mostra impacto relevante do consumo moderado sobre a fertilidade.
O especialista reforça que o principal cuidado é evitar o excesso de cafeína. Estudos sugerem que o consumo elevado está associado a um maior tempo para engravidar e, após a concepção, a um risco aumentado de perda gestacional.
No entanto, na maioria dos casos, não é necessário eliminar completamente o café da dieta. Para mulheres que ingerem grandes quantidades ao longo do dia e querem engravidar, a redução pode ser uma estratégia mais adequada. Já quem consome moderadamente, geralmente pode manter o hábito sem necessidade de mudanças drásticas.
Quantidade de cafeína segura por dia
Embora não exista um limite indicado para tentantes, a recomendação é a ingestão de até 200 mg de cafeína por dia, o equivalente a uma a duas xícaras de café.
Essa quantidade é considerada segura, mas é importante ressaltar que a cafeína está presente em outras bebidas como energéticos, alguns tipos de refrigerantes e chás.
Para ter uma ideia, uma lata de energético pode conter entre 80 mg e 200 mg de cafeína, dependendo da marca e do tamanho da embalagem. Uma xícara de café coado de cerca de 100 ml possui entre 60 mg e 80 mg, enquanto uma lata de refrigerante de cola (350 ml) tem aproximadamente 30 a 40 mg. Por isso, é fácil ultrapassar a recomendação diária de cafeína ao longo do dia.
Café descafeinado é uma opção indicada para tentantes?
Sim. Para quem está tentando engravidar e quer reduzir a ingestão de cafeína sem abrir mão do café, as versões com baixo teor da substância podem ser uma alternativa. Além de permitir que o consumo permaneça dentro de limites considerados seguros, ele mantém o sabor e o ritual do cafezinho, tão presentes no dia a dia.
Como a cafeína pode impactar a fertilidade?
Alguns estudos apontam que a cafeína em excesso pode interferir na fertilidade porque afeta processos essenciais para a concepção. Nas mulheres, a substância pode alterar a regulação hormonal, influenciar a qualidade do óvulo e até prejudicar a absorção de nutrientes importantes para a gestação.
Nos homens, doses elevadas de cafeína podem comprometer a movimentação e a vitalidade dos espermatozoides, reduzindo a chance de fecundação. Por isso, a recomendação é moderação enquanto o casal tenta engravidar.
Excesso de cafeína interfere nos tratamentos para engravidar?
Durante a fertilização in vitro (FIV), cada etapa do processo, desde a qualidade dos óvulos até a implantação do embrião, precisa ocorrer em condições ideais para não atrapalhar o resultado. Por isso, qualquer fator que possa interferir merece atenção. Mesmo sem evidências científicas definitivas de que a cafeína prejudique a fertilidade, os especialistas recomendam cautela nesse período.
De acordo com a ginecologista e obstetra Larissa Pires, pacientes que fazem FIV devem ter cuidado com a cafeína. Ela explica que, para garantir que o desenvolvimento embrionário ocorra da melhor forma, o ideal é consumir menos de 100 mg por dia ou optar por café com baixo teor de cafeína.
Consumo de cafeína e risco de perda gestacional
Muitas tentantes se perguntam se o café aumenta o risco de aborto. Estudos mostram que a ingestão moderada, até 200 mg por dia, não parece afetar significativamente a gestação. Já quantidades acima de 300 mg por dia estão associadas a um risco maior de aborto espontâneo e baixo peso ao nascer. Pesquisas indicam que quanto maior a ingestão de cafeína, maior o risco de complicações gestacionais.
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