Por que, às vezes, é difícil para a mulher perceber que está vivendo uma situação de violência? Por que é preciso falar tanto sobre a humanização dos atendimentos? Essas indagações revelam o tamanho do desafio diário enfrentado por quem atua na rede de proteção e atendimento às vítimas de violência em Alagoas e fizeram parte de um evento preparatório na quarta-feira (22). O encontro foi realizado pelo comitê gestor da política Alagoas Lilás para estruturar ações estaduais que serão desenvolvidas durante o mês de agosto, período de conscientização e combate à violência contra a mulher.
A capilaridade dessa atuação é um dos fatores para que o suporte chegue efetivamente a quem precisa. Atualmente, os 102 municípios alagoanos já contam com a formalização de acordos de cooperação voltados a ações de prevenção e combate à violência de gênero. Para combater a violência contra a mulher de maneira sistêmica, cada secretaria e órgão do Estado atua de forma transversal e também individual, desenvolvendo programações direcionadas tanto aos seus servidores quanto ao público que atende.
Esse esforço conjunto ganha força estrutural com a Rede de Atenção às Violências (RAV), instituída pelo Decreto Estadual nº 89.437 para atuar na prevenção, identificação, assistência e monitoramento das violências direcionadas a populações vulneráveis, oferecendo equipamentos essenciais como as Salas Lilás e acolhimento especializado. A secretária executiva de Integração Social do Gabinete Civil e coordenadora do Comitê Gestor da RAV, Maria Clara Tenório, destaca o papel da rede para o Alagoas Lilás. “Todos os integrantes da rede estão empenhados em enfrentar as violências de forma transversal e contínua, materializando na prática as diretrizes da política e oferecendo a infraestrutura física e o fluxo assistencial necessários para que a proteção às vítimas saia do papel e chegue efetivamente à população”, afirmou.
Na linha de frente do apoio operacional e ostensivo, programas especializados desempenham um trabalho fundamental para salvar vidas e garantir o suporte contínuo às vítimas, como é o caso da Patrulha Maria da Penha. A major Larisse Brito, chefe de políticas de segurança à mulher da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, ressalta a relevância desse trabalho integrado. "A Patrulha Maria da Penha, há oito anos, vem salvando a vida das mulheres. Nascida em 2018, ela soma mais de 10.000 assistidas desde então e, nesses oito anos, nenhuma dessas mulheres atendidas foi vítima de feminicídio", disse.
O sucesso da iniciativa reside na parceria entre a Polícia Militar, o Poder Judiciário e os demais equipamentos da rede de assistência, que funcionam de maneira coordenada para amparar a mulher e monitorar o cumprimento de medidas protetivas. O policial militar e representante da Patrulha Maria da Penha Carlos Henrique foi além e explicou a importância de envolver os homens nesse trabalho. “É extremamente importante trazermos os homens para esse debate para que possamos envolver cada vez mais aquele que é o principal perpetrador da violência contra a mulher”, ressaltou.
Onde buscar ajuda?
Para mulheres que estejam enfrentando situações de violência doméstica ou familiar, saber onde buscar auxílio rápido e seguro é uma ferramenta essencial de salvamento.
Canais de denúncia: O atendimento imediato e sigiloso pode ser acionado por meio do Disque 100 (direitos humanos), do Disque 180 (central de atendimento à mulher) e do número estadual 181.
CEAM (Centro Especializado de Atendimento à Mulher): Unidade de referência em nível estadual que oferece acolhimento humanizado, suporte psicológico e social, funcionando também como ponto focal para os fluxos de proteção.
Atendimento integrado em rede: Em casos de emergência ou necessidade de medidas protetivas, o acionamento das forças de segurança aciona imediatamente o suporte especializado da Patrulha Maria da Penha e o encaminhamento para os serviços de saúde e assistência social do município.
O principal objetivo das ações informativas e formativas é fazer com que os números de denúncia e os endereços dos equipamentos especializados cheguem ao maior número possível de mulheres, rompendo o ciclo de silêncio e oferecendo uma resposta rápida, articulada e humanizada em todo o território alagoano.