Flávio Gomes de Barros
Texto de Antônio Minhoto, no portal IG:
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“Um fato pode ser socialmente relevante ou não. Hoje, no entanto, vivemos tempos de ‘construção de relevância’, uma novidade em relação ao passado em que fatos, ocorrências, situações, opiniões, eram relevantes ou não. Hoje, a repercussão é construída. Influencers, youtubers e assemelhados pode transformar um fato até mesmo simplório em algo impactante.
No universo político isso é bem conhecido. O deputado Nikolas Ferreira faz no momento uma caminhada de Minas até Brasília, atraindo pessoas para apoiar a sua iniciativa ou até mesmo dela tomar parte. Se tem ou terá relevância, veremos.
Mostrando que o evento já tem algum destaque, o líder do governo, Lindbergh Farias tratou de ir a público defender que Nikolas tenta fazer ‘cortina de fumaça’, desviar o foco, do projeto da anistia aos envolvidos no ato de 8 de janeiro de 2023, projeto este que, segundo Farias, teria malogrado.
No caso do Banco Master, há não exatamente a construção de uma relevância, que já está posta e é uma realidade, mas a fruição dessa energia para construir discursos e estruturar ações. A treta é sempre uma fonte interessante para alavancar a imagem de um político que nela não está envolvido.
Assim, quem está envolvido no caso Master, como, por exemplo, o governador do DF, Ibaneis Rocha, se vê em apuros. Quem está fora, porém, vê no episódio uma oportunidade de faturar em cima, engatar um discurso moralista ou de defesa da ética, algo especialmente turbinado pelas eleições deste ano, em outubro.
Não esqueçamos que o então desconhecido Fernando Collor de Mello se elegeu presidente em 1993 com a ideia de que era um ‘caçador de marajás’, alguém que combatia a corrupção em Alagoas.
Aliás, falando em Alagoas, Renan Calheiros e Arthur Lira, políticos com carreira construída naquele estado nordestino, devem disputar uma vaga para o Senado agora em 2026. E já trataram, ambos, de colocar em seus discursos o escândalo do Banco Master.
Calheiros, por exemplo, tem declarado que quer saber por que o Bacen teria demorado para fechar as portas da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, já que desde 2019 o Master pendurava boa parte de suas operações na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Lira também quer explicações sobre o que ele nomeia de ‘contradições do Bacen’.
A atenção repentina dos políticos citados pelo caso envolvendo Daniel Vorcaro e seu banco passa longe da defesa dos interesses públicos ou algo assemelhado.
Tudo é estudado para estar na mídia, ganhar holofotes, expor a própria imagem, associando-a à ética, à moralidade, à defesa do povo. O importante, em tempos hipermidiáticos, é parecer e não ser, invertendo a máxima atribuída ao filósofo romano Cícero.”
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