FELIPE GUTIERREZ/Folhapress
Após o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais, no domingo (4), usuários de um dos principais fóruns de concurseiros da internet começaram a discutir se um eventual governo do candidato do PL teria poucos concursos públicos.
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Na comunidade r/concursospublicos do Reddit, com 136 mil membros e 18 mil posts semanais, foi aberta uma nova etiqueta para discutir as perspectivas de abertura de vagas em um eventual governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A maioria dos posts é de usuários que criticam o candidato e afirmam que ele ou seus aliados deram sinais de que não vai haver abertura de muitas vagas. Eles citam, por exemplo, uma entrevista de Daniella Marques em que ela afirma que vai usar mais inteligência artificial no governo e a proposta de cortar dez ministérios que aparece no plano de governo de Flávio.
Em um post, um usuário diz que sabe que ainda vai haver concursos, mas que eles vão mudar drasticamente. Também há textos pedindo calma e afirmando que os concursos não vão acabar de uma hora para outra.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da campanha de Flávio Bolsonaro, que não respondeu.
Segundo as tabelas de autorizações do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), o governo Jair Bolsonaro autorizou 6.196 vagas de concurso de 2019 a 2022. Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram 15.139 de janeiro de 2023 a 2 de julho de 2026.
A autorização da vaga é o primeiro passo do processo. Não significa que o edital realmente vai sair ou que alguém será contratado.
Para um coordenador de curso preparatório para concursos, o número de vagas foi realmente maior na gestão Lula, mas isso é explicado pelas circunstâncias. Segundo ele, havia demanda reprimida porque a autorização de vagas diminuiu desde a crise econômica de 2015 e 2016 e também porque houve a pandemia de Covid-19 a partir de 2020.
Ele afirma que uma diferença importante entre os dois governos é a natureza das vagas autorizadas: sob Bolsonaro, a prioridade foram as carreiras policiais e de fiscalização.
As tabelas do MGI mostram que, das vagas autorizadas por Bolsonaro, 53,4% foram para a PF (Polícia Federal), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e o Departamento Penitenciário Nacional.
Outros 17,3% foram para fiscalização e controle, na Receita Federal e na CGU (Controladoria-Geral da União), e 16,1% para técnicos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Sob Lula, as carreiras policiais ficaram com 6,6% das vagas, todas na PF. A PRF não teve novo concurso autorizado no período, apenas a autorização para nomear 794 excedentes de seleções anteriores.
A maior parte (75,5%) foi para carreiras finalísticas de áreas como ciência e tecnologia, meio ambiente, regulação e políticas sociais. Nessa conta, foram classificadas como finalísticas as vagas que não são policiais, de fiscalização ou de apoio administrativo.
O coordenador afirma que, embora Lula provavelmente seja mais propenso a abrir vagas do que Flávio, os números da atual gestão dificilmente vão se repetir, porque havia uma demanda reprimida de muitos anos no Executivo federal, e parte dela já foi atendida.
Ele lembra que houve dois CNUs (Concurso Público Nacional Unificado) no período.
APOSENTADORIAS NOS PRÓXIMOS ANOS
Segundo levantamento do MGI publicado em dezembro de 2024, 53.862 servidores federais civis vão completar os requisitos para se aposentar de 2027 a 2030, os quatro anos do próximo mandato.
Nem todos esses vão parar de trabalhar, pois os servidores têm a opção de seguir na ativa recebendo abono de permanência até os 75 anos. Segundo o ministério, isso vai acontecer com 27.072 deles no período.
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