Rio volta a ter fila para tratar Covid-19 e governo do estado reabre leitos na Baixada Fluminense

Publicado em 08/06/2022, às 08h47
Tijuca Tênis Clube tem fila para vacinação contra a Covid-19 ao voltar a atender o público para imunização | Foto: Marcia Foletto / Agência O Globo -

Extra

Ainda sem reflexo no número de óbitos, o aumento de casos de Covid-19 na cidade do Rio já causa um impacto na fila de internação para tratar a doença. Dados do painel da prefeitura mostram que nesta terça feira (07) à noite 11 pessoas esperavam ser transferidas de uma unidade de emergência para um hospital da rede.

Em média, o tempo na fila ultrapassava 73 horas, mais três dias. Há um mês, apenas oito pessoas estavam internadas na cidade e a fila estava zerada. O crescimento de casos e de pedidos de internação levou a secretaria estadual de Saúde a reabrir 40 leitos no Hospital Dr Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu.

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Com 90 pessoas internadas com Covid na cidade do Rio, a falta de vagas ocorre porque a maioria dos leitos usados anteriormente para o tratamento de pessoas com coronavírus foi convertido para atender outras especialidades. O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, que por meses foi exclusivo para Covid-19, ontem tinha apenas duas pessoas positivadas para a doença entre os 400 leitos.

— Enviamos um ofício para os governos estadual e federal pedindo a abertura de novas vagas e acreditamos que eles têm essa capacidade. Dos internados hoje no Rio, 22 são de outros municípios. As pessoas que estão na fila estão sendo assistidas pelas equipes — afirma Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde do Rio.

Criado para ser exclusivo no tratamento da Covid-19, o hospital Dr. Ricardo Cruz (HERCruz), em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, também converteu leitos para a internação de pacientes sem Covid-19 após a redução de casos. No entanto, um novo crescimento da curva do coronavírus fez a secretaria estadual de Saúde reativar 30 leitos de enfermaria no último sábado e outros 10 de UTI nesta segunda-feira (07). De acordo com a pasta, o maior número de solicitações de leitos está na capital.

"A SES acompanha diariamente o número de atendimentos nas emergências e nas UPAs da rede estadual para verificar possível aumento na demanda e atua com um plano de contingência que prevê a ativação de níveis a partir de determinados cenários epidemiológicos. Com base nesse plano, em cada nível de ativação, são definidas as medidas de enfrentamento que serão tomadas. Havendo necessidade de ampliação de leitos, a Secretaria conta com um cronograma escalonado para reversão dos leitos de Covid-19, que com a redução na transmissão da doença, foram revertidos para atender casos clínicos", explica a secretaria estadual de Saúde em nota.

Segundo o diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio, Graccho Alvim, a rede privada começa a receber mais pacientes, mas sem a necessidade de internação.

— Temos um hospital grande na capital que nas últimas duas semanas foram abertos apenas seis leitos de UTI, que comparado a outros momento da pandemia é um número bem baixo. Atualmente temos internados aquelas pessoas com comorbidades, doenças graves e não vacinados — diz.

O aumento do número de casos de Covid-19 nesta época do ano era esperado pelas autoridades de saúde, assim como outras doenças respiratórias, como a gripe. Atualmente a taxa de positividade para o coronavírus na cidade do Rio está em 23%, enquanto no início de maio era de 8%. A recomendação é que quem tenha sintomas procure um posto de saúde para realizar o teste antígeno, além de usar máscara. A estilista Sol Azulay, de 42 anos, foi ao Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, vacinar o seu filho, Benjamín Azulay, de 4 meses, e decidiu fazer o teste de Covid-19 por precaução. Ela havia acordado com dor na garganta e queria descartar a possibilidade da doença. No entanto, ela testou positivo.

— Meus sintomas começaram ontem. Eu estava espirrando e com a garganta coçando. Além disso, eu estou com um bebê de 4 meses que há 12 dias está tossindo muito. Estou com o esquema vacinal completo, estou com as três doses, mas fiz o teste mesmo estando imunizada, porque a gente sabe que a imunização vai evitar os casos mais graves, mas que ninguém está 100% protegido. Antes de me testar, eu cheguei a falar com a minha pediatra e ela me aconselhou a fazer o exame, já que as pessoas estariam sendo infectadas novamente. Já recebi todas as orientações necessárias e agora eu estou tendo que driblar todas as questões para conseguir amamentar meu bebê — conta Sol.

O aumento do número de casos na cidade levou a prefeitura a recomendar o uso de máscaras a idosos, estudantes e pessoas com comorbidades. A Universidade Estadual do Rio (Uerj) retomou uso obrigatório da máscara. O equipamento de proteção individual também deve ser usado nos locais onde o espaçamento mínimo de um metro não possa ser praticado. Já o Colégio Pedro II também retomou o uso obrigatório em ambientes fechados, principalmente em salas de aula. A medida também vale em locais onde o distanciamento mínimo de um metro não possa ser praticado.

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