Rogério Caboclo 'ressuscita' e agita disputa pela presidência do São Paulo

Publicado em 09/08/2026, às 22h08
Rogério Caboclo, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) - Divulgação / CBF

Folhapress

Ler resumo da notícia

Marcada para a primeira quinzena de dezembro, a eleição que define o presidente do São Paulo para o triênio de 2027 a 2029 vive sua mais recente reviravolta política.

LEIA TAMBÉM

Na última quarta-feira (5), o vazamento de um vídeo, registrando um encontro político, recolocou em evidência um dos personagens mais controversos da cartolagem recente do país: o ex-presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Afastado do cargo máximo da entidade em 2021 e suspenso do futebol por conta de graves denúncias de assédio moral e sexual -embora tenha se livrado das acusações na Justiça comum-, o nome do cartola, conselheiro vitalício do clube, emergiu como o mais novo cotado para encabeçar uma candidatura no pleito.

A gravação que mostra o dirigente ao lado de figuras influentes da política interna do clube -incluindo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu- chamou a atenção pela presença de apoiadores do atual presidente, Harry Massis, desafeto público de Ayres.

"Olten e seu grupo político confirmam seu apoio à candidatura de Rogério Caboclo à presidência do São Paulo. Trata-se de uma posição política legítima, construída a partir de suas convicções e do diálogo com diferentes integrantes do Conselho Deliberativo", divulgou o presidente do Conselho por meio de nota à imprensa. Procurado pela reportagem, ele preferiu não dar entrevistas.

O cenário intrigou tanto a situação quanto os blocos de oposição e pode redesenhar o tabuleiro sucessório são-paulino.

"O Caboclo filho sempre foi muito ausente do dia a dia do clube, diferente de seu pai [Carlos Caboclo], que foi quem levou o Telê para o São Paulo em 1990 e sempre foi muito influente. O filho teve um cargo na diretoria financeira na virada do século e, depois, qualquer função foi mais decorativa, pois já fazia carreira na Federação Paulista e na CBF", disse à reportagem o publicitário e pesquisador Alexandre Giesbrecht, editor do Anotações Tricolores.

Para Giesbrecht, o surgimento da candidatura se resume ao nascimento de mais um episódio de "sabor artificial de oposição" na história recente do clube, visto que, mesmo durante a gestão Julio Casares, quando já não era mais presidente da CBF, seu histórico recente resumiu-se a faltas não justificadas em votações cruciais ou a votos favoráveis a Casares, investigado por possível gestão temerária e irregularidades no período em que esteve na presidência.

Conselheiro e um dos principais nomes do grupo opositor Salve o Tricolor Paulista, o advogado Caio Forjaz aponta ainda que o histórico de investigações arranharia ainda mais a imagem do clube, que, segundo o balanço financeiro divulgado em abril, referente a 2025, tem uma dívida de R$ 858 milhões.

"Sai um investigado por corrupção por outro que tem seu nome envolvido com outros escândalos. Ninguém quer ligar a sua marca a quem tem uma acusação de assédio sexual. É pejorativo à imagem do São Paulo", explica Forjaz. "Vejo uma tentativa de pressão, mas não acredito que a candidatura prospere. Hoje os conselheiros são muito influenciados pela mídia segmentada e pela torcida."

Eleito em 2018, Caboclo viu seu mandato na CBF desmoronar em junho de 2021 após reportagens revelarem acusações formais de assédio moral e sexual apresentadas por uma funcionária à Comissão de Ética.

O escândalo ganhou contornos graves com a divulgação de áudios nos quais o então presidente dirigia-se à colaboradora com perguntas de cunho íntimo e invasivo, como "você se masturba?".

O grupo político que fez pressão e foi decisivo para a queda da gestão de Casares explicou que não só não dará nenhum tipo de apoio a Caboclo como tem a intenção de lançar o conselheiro vitalício Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, ao pleito.

A viabilidade de uma candidatura de Caboclo ainda esbarra em barreiras estatutárias rígidas. O estatuto do São Paulo prevê 260 cadeiras no Conselho Deliberativo, das quais 100 são de conselheiros eleitos que não participam desta eleição. Dos 160 vitalícios restantes, descontando-se as recentes expulsões, há 157 votantes.

Para prosseguir com a candidatura, é necessário atingir o piso de 55 assinaturas de conselheiros vitalícios para chapa própria. Se apenas uma alcançar essa margem, a exigência se reduz a pelo menos 40 para até outras duas chapas. Por isso, as chances de surgimento de uma "terceira via" são consideradas remotas.

O atual presidente, Harry Massis Júnior, que assumiu o cargo após o afastamento de Casares em janeiro, é visto como o nome mais provável da situação, embora diga fazer apenas uma gestão transitória. O cartola, contudo, vive o momento de maior pressão desde que assumiu a cadeira.

Enquanto tenta pôr fim ao transfer ban pelo não pagamento de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,8 milhões) referente à compra de Marcos Antônio junto à Lazio, o dirigente passou a ser alvo de um pedido de expulsão do quadro associativo encaminhado à Comissão de Ética por oito conselheiros, que alegam gestão temerária. Nos bastidores, Adílson Alves Martins também aparece como alternativa governista.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

São Paulo libera jogador e põe psicólogos à disposição após acidente com morte Marta responde sobre aposentadoria um ano antes da Copa do Mundo de 2027 Nova pesquisa revela quais são as maiores torcidas do Brasil Deborah Secco coloca biquíni fio-dental e exibe curvas em Fernando de Noronha; veja fotos