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Ao longo de sua trajetória na televisão, Manoel Carlos revelou ter um desejo profissional que nunca se concretizou: trabalhar com a atriz Glória Pires. A declaração foi feita em 2012, em entrevista ao blog Eu Prefiro Melão, quando o autor foi questionado sobre artistas com quem gostaria de ter colaborado.
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“Glória Pires, sem nenhuma dúvida. E não perdi a esperança”, afirmou na ocasião. A admiração voltou a ser mencionada no ano seguinte, em entrevista à revista Veja Rio, quando Maneco voltou a destacar o talento da atriz, sem que, até então, os dois tivessem dividido um mesmo projeto.
Apesar da extensa lista de protagonistas femininas criadas pelo autor ao longo de décadas, Glória nunca integrou um elenco de novelas escritas por ele.
Essa relação de admiração ganhou novo destaque neste domingo (11), quando ela relembrou um texto escrito pelo autor e publicado originalmente em formato de crônica.
A atriz citou o conteúdo como homenagem ao autor, que morreu no sábado (10), aos 92 anos. Ao comentar a lembrança, afirmou que “infelizmente o desejo recíproco de trabalharmos juntos não aconteceu”.
Na crônica, Maneco reflete sobre o papel do teatro na formação do ator e na história da arte dramática. O autor parte de uma passagem de Hamlet para discutir o teatro como espaço de denúncia, aprendizado e construção artística.
“O teatro é a armadilha onde vou apanhar a consciência do rei”, escreve, ao associar a prática teatral à exigência técnica e ética da profissão.
Ao longo do texto, ele diferencia a formação teatral da experiência no cinema e na televisão, sem estabelecer hierarquias diretas, mas apontando o palco como espaço central de aprendizado.
“Nada contra a televisão e o cinema, mas há que reconhecer que é em cima de um palco que se aprende o que há de melhor na arte de representar”, afirma.
É nesse contexto que Manoel Carlos menciona Glória de forma direta, ao antecipar possíveis questionamentos sobre atrizes que não passaram pelo teatro.
“Alguns me dirão: ‘Mas e a Glória Pires, como é que sabe tanto, é tão completa, tão admirada, se nunca pisou num palco?’”, escreve. Em seguida, responde: “Ela é simplesmente a exceção que confirma a regra. A Glória é a glória. Não se explica. Admira-se. Ama-se”.
A lembrança do texto ocorre ao dia seguinte da morte do autor, que enfrentava um quadro de saúde fragilizado nos últimos meses. Segundo informações, havia comprometimento motor e cognitivo, com necessidade de cuidados médicos e familiares em tempo integral.
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