Se o homem já pisou na Lua, por que esses astronautas foram mais longe da Terra?

Publicado em 07/04/2026, às 14h04
- Divulgação/Nasa

Redação

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Na segunda-feira, 6, a missão Artemis II, da Nasa, entrou para a história ao levar quatro astronautas a uma distância recorde de 406.777 quilômetros da Terra. A marca supera o antigo recorde de 400.171 km, estabelecido em 1970 pela missão Apollo 13.

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A bordo da cápsula Orion estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. O feito ocorreu às 14h56 (horário de Brasília), consolidando o grupo como os humanos que viajaram mais longe do planeta.

O marco, no entanto, levantou uma dúvida comum: se o ser humano já pisou na Lua há mais de meio século, como esses astronautas podem ser considerados os que chegaram mais longe da Terra?

A resposta está na diferença entre pousar na Lua e atingir a maior distância do planeta. Em 1969, a missão Apollo 11 levou os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins à superfície lunar. Armstrong se tornou o primeiro humano a pisar no satélite natural da Terra, marcando um dos maiores feitos da história com a célebre frase: “Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”.

Ao todo, o ser humano já pousou na Lua seis vezes, todas durante o Programa Apollo. As missões tripuladas ocorreram entre 1969 e 1972, período em que 12 astronautas caminharam sobre a superfície lunar, começando pela histórica Apollo 11. Após essa primeira conquista, outras cinco missões também realizaram pousos bem-sucedidos. Em cada uma delas, dois astronautas desciam à superfície da Lua, enquanto um terceiro permanecia a bordo da nave, em órbita ao redor do satélite.

Apesar disso, chegar à Lua não significa necessariamente alcançar o ponto mais distante da Terra. As missões Apollo seguiram trajetórias diretas para pouso e retorno, sem se afastarem ao máximo possível do planeta. Já a Artemis II adotou uma rota diferente: um amplo contorno ao redor do lado oculto da Lua, conhecido como “loop”, que levou a nave Orion a um ponto mais distante antes de iniciar o retorno.

O recorde anterior, da Apollo 13, foi alcançado justamente por circunstâncias inesperadas. Após uma explosão a bordo, a tripulação precisou contornar a Lua em uma trajetória mais longa para voltar à Terra, o que acabou levando os astronautas ao ponto mais distante já registrado até então.

Outro fator importante ajuda a explicar o novo recorde: desde a missão Apollo 17, em 1972, nenhum ser humano havia viajado além da órbita baixa da Terra. A Artemis II marca o retorno das missões tripuladas ao espaço profundo após mais de cinco décadas, com o objetivo de testar sistemas e preparar futuras viagens para pousos lunares.

Além do recorde de distância, a missão também proporcionou novas observações do espaço. Segundo a Nasa, foi a primeira vez que toda a extensão de uma enorme cratera lunar pôde ser vista diretamente por olhos humanos, embora já tivesse sido registrada anteriormente por câmeras orbitais.

Assim, o feito da Artemis II não contradiz a história da exploração espacial, ele a complementa. O ser humano já chegou à Lua, mas nunca havia se afastado tanto da Terra quanto agora.

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