Sem citar criminalização da homofobia, Toffoli defende STF contra acusações

Publicado em 15/06/2019, às 22h56
Pexels -

Folhapress

Um dia depois da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal que iguala homofobia e transfobia no Brasil a crimes de racismo, o ministro Dias Toffoli defendeu a corte das críticas de que ela estaria legislando e operando fora de sua função. 

LEIA TAMBÉM

Em um evento para empresários, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (14), Toffoli não citou diretamente o caso, que foi julgado depois de uma ação apresentada pelo PPS e pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), e falou de forma genérica. 

Disse que quando alguém abre o jornal ou liga a televisão, encontra críticas sobre o STF legislar em cima do que seria de deliberação do Congresso Nacional. 

"Ora, quem provocou o STF foi um parlamentar. Quem pediu para o Supremo decidir foi um partido político, foi um parlamentar. Se se respeitasse as suas competências específicas e não levasse o problema ao Judiciário, não haveria porque o Judiciário ou o Supremo estar deliberando sobre [esses temas]", afirmou ele. 

A decisão que criminaliza a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero teve placar de 8 a 3 entre os ministros –Toffoli acompanhou Ricardo Lewandowski no entendimento de que o Congresso foi omisso ao não votar lei, mas que caberia ao Legislativo tratar de criminalizar uma conduta. Marco Aurélio votou sozinho dizendo que a omissão não poderia ser estabelecida pela Corte. 

A fala faz referência a outras pautas que passaram pelo STF, também apresentadas por partidos. Toffoli lembrou que, enquanto a Suprema Corte dos Estados Unidos pode escolher 100 dos 10 mil casos que recebe e arquivar os demais, o Supremo brasileiro é obrigado a julgar todas as ações que chegam a ele. 

Só em 2018, segundo o ministro, os 11 juízes da corte julgaram 126.753 decisões. Somando a primeira e segunda turma e o plenário, foram 14 mil decisões colegiadas. 

A fala de Toffoli, com cerca de 40 minutos de duração, pregou ainda "desjudicializar" o país e enxugar o texto da Constituição Federal de 1988. Para o presidente do STF, a sociedade necessita ser "mais autoconfiante em si mesma" e evitar recorrer a caminhos jurídicos. 

O ministro disse que vem conversando com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre (ambos do DEM), e com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre a necessidade de enxugar o texto da Constituição. 

"Quanto mais texto tiver a Constituição, mais possibilidade de a sociedade levar ao Judiciário questionamentos. Se precisamos destravar o país, trazer maior segurança jurídica, ter mais previsibilidade, precisamos ter um texto constitucional mais enxuto", afirmou. 

Ao afirmar que a sociedade brasileira precisa de um pacto que reconheça a necessidade de reformas, Toffoli saiu em defesa da reforma da Previdência. Com aprovação encaminhada no Congresso, ele afirmou: "Será extremamente importante e relevante". 

Em outro momento, o ministro disse que poderia garantir que, no dia seguinte à aprovação da emenda constitucional para a reforma, o STF já começará a receber ações: "Alguém tem dúvida? Ninguém tem dúvida". 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado