Sem prevenção, Brasil terá novo surto de zika em até 7 anos, diz especialista

Publicado em 24/07/2018, às 08h21

Redação

O diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Fernando, realizou uma conferência sobre arboviroses com enfoque  nos principais vírus em circulação pelo Brasil. Cerca de 20 pesquisas sobre o zika vírus, dengue, febre chikungunya e febre amarela foram apresentadas pelo pesquisador nessa segunda-feira (23), na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

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Chagas informou que o Brasil não consegue controlar o índice de infestação dessas doenças. "A tendência é que daqui a aproximadamente cinco ou sete anos haja outro pico de zika em nosso país, pois não há prevenção e essa é a tendência natural das arboviroses epidêmicas", alerta.

As arboviroses são transmitidas por insetos ou aracnídeos. No Brasil, o principal transmissor é o mosquito Aedes aegypti, mas a conferência esclareceu que o zika vírus também pode ser passado por relações sexuais. Ainda segundo o pesquisador há uma série de perguntas sobre o zika sem respostas, estudos associando a doença até mesmo ao autismo estão sendo realizados.

“Sabemos que a doença é mais severa em pessoas com problemas no sistema imunológico, como artrite reumatoide ou lupos. Concluímos que o problema tende a aumentar nacionalmente, muitos estudos são necessários, uma vacina foi desenvolvida e está em fase de testes”, iexplicou o diretor do IEC.

De acordo com os dados revelados na conferência, nos anos de 2016 e 2017 foram quase 500 óbitos causados apenas pela febre chikungunya em todo o Brasil. "Essas mortes poderiam ter sido evitadas", comentou Fernando.

As arboviroses podem ser prevenidas baixando o número de vetores causadores, como o Aedes aegypti, mas a vacina continua sendo a ferramenta mais importante para a prevenção de doenças como a febre amarela. "Se todas as pessoas que deveriam se vacinar, tivessem se vacinado, nós não teríamos essa epidemia que tivemos agora. A epidemia ocorre devido a falha na cobertura vacinal, pois se bem feita reduziria ao mínimo o número de casos, evitando mortes por impedir que pessoas adoeçam e desenvolvam a forma grave, que é um quadro muito severo e preocupante", destacou Fernando. 

Estudantes ocuparam todos os espaços no local para assistir a conferência. "É muito importante saber com mais propriedade sobre os vírus que estão circulando no Brasil, eu mesma já tive familiares doentes por terem contraído uma dessas doenças, o tratamento foi eficaz, mas é bom estar informada", relatou a estudante do 4º período de Medicina Veterinária, Aline Costa. 

Buscando uma introdução para matéria de patologia, o estudante de Medicina, Fernando Farias, prestou atenção em toda a conferência. "A maioria das pesquisas apresentadas nesta conferência são da equipe do especialista ou possuem a participação direta dele, isso torna tudo muito mais interessante. Mesmo com a riqueza de detalhes apresentados, ele deixa claro o quanto os estudos ainda precisam se aprofundar, isso é muito bom, porque nos estimula", ressaltou. 

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