Sete pessoas, incluindo três seguranças de supermercado, são presas por mortes de tio e sobrinho que furtaram carne

Publicado em 10/05/2021, às 14h17
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Folhapress

Três seguranças do supermercado Atakadão Atakarejo e mais quatro homens foram presos na manhã desta segunda-feira (10) por suspeita de envolvimento nas mortes de Bruno Barros da Silva, 29, e seu sobrinho, Yan Barros da Silva, 19, no dia 26 de abril, em Salvador.

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Bruno e Yan foram flagrados por seguranças furtando pacotes de carne no supermercado Atakadão Atakarejo, no bairro de Amaralina. No mesmo dia, ambos foram encontrados mortos no porta-malas de um carro com tiros e sinais de tortura, no bairro da Brotas.

O supermercado Atakarejo não registrou boletim de ocorrência do furto, segundo informou a Polícia Civil. A principal suspeita é que tio e sobrinho foram entregues pelos seguranças do supermercado a traficantes do bairro, que os executaram.

Batizada de Operação Retomada, a operação policial desta segunda-feira teve a participação de cerca de 200 policiais civis, militares, agentes da inteligência da Secretaria de Segurança Pública e do Departamento de Polícia Técnica.

Foram realizadas incursões em Salvador, nos bairros do Nordeste de Amaralina, Mata Escura e Fazenda Coutos, e na cidade de Conceição do Jacuípe. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na sede do Atakadão Atakarejo, onde foram apreendidos computadores e outros equipamentos.

A Polícia Civil informou que quatro pessoas foram presas no início da manhã desta segunda: um segurança do supermercado e três suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, que tiveram prisão temporária decretada pela Justiça. Por volta das 10h30, mais dois seguranças e um suspeito de envolvimento com o tráfico foram preso.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia não informou se existem outros mandados de prisão em aberto.

"A ação visa cumprir os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão e trazer aos autos elementos novos que possam nos ajudar na elucidação do crime", disse a delegada Andréa Ribeiro, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Estado da Bahia, pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia e pela seccional local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Atakarejo informou que "não comenta decisões judiciais e vai continuar colaborando com as autoridades competentes para que o fato policial seja esclarecido o mais rapidamente possível".

Em outra nota divulgada na semana passada, dez dias após o assassinato de Bruno e Yan, o Atakarejo informou que "repudia o fato ocorrido e manifesta total solidariedade às famílias das vítimas".

Também informou que uma sindicância interna decidiu pelo afastamento dos seguranças até que os fatos sejam esclarecidos: "A empresa reafirma o compromisso com o seu código de ética e conduta e que jamais irá tolerar qualquer ato de violência".

Na terça-feira (4), o secretário da Segurança da Bahia, Ricardo Mandarino, reconheceu que há componentes de racismo e de ódio nas mortes de Bruno e Yan.

"Trata-se de um delito resultado desse conceito vil, tosco, desumano, deturpado de que 'bandido bom é bandido morto'. Há, nessa ação abjeta, um componente forte de racismo estrutural e ódio aos pobres. Na cabeça dessa gente torpe, todo pobre e preto é bandido", afirmou o secretário.

Entidades do movimento negro de Salvador têm realizado protestos cobrando apuração do crime e punição para os culpados.

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