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Um estudo internacional liderado pela Universidade de Bielefeld, na Alemanha, pretende medir de forma inédita como os jogos do Mundial de 2026 impactam a saúde dos torcedores, monitorando indicadores como frequência cardíaca, estresse, sono e movimentação corporal por meio de smartwatches e outros dispositivos.
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Nomeada "Football Fever" ("Febre do Futebol", na tradução livre para o português), a pesquisa está recrutando torcedores de todas as seleções participantes da Copa. A expectativa dos cientistas é reunir uma grande quantidade de dados para compreender melhor como as emoções despertadas pelo futebol se refletem no corpo humano em tempo real.
"Queremos incluir o maior número possível de fãs, independentemente da nação que apoiam e do smartwatch que usam. Mais participantes resultam em dados mais robustos, o que aumenta o poder explicativo do estudo", afirma o professor Christian Deutscher, co-líder do projeto na Faculdade de Psicologia e Ciências do Esporte da Universidade de Bielefeld, em comunicado, publicado nessa terça-feira (16).
Como funciona o monitoramento
Os participantes autorizam o compartilhamento de informações registradas automaticamente por seus relógios inteligentes. Entre os dados coletados estão a frequência cardíaca, os níveis de estresse estimados pelos dispositivos, os padrões de sono e a atividade física.
Segundo a equipe responsável, todas as informações são coletadas de forma anônima e em conformidade com as normas de proteção de dados. O objetivo não é analisar indivíduos específicos, mas identificar padrões gerais de comportamento fisiológico durante partidas de futebol.
Inicialmente, apenas usuários de dispositivos Garmin podiam participar da pesquisa. No entanto, desde o lançamento do estudo, em 28 de maio, outras 12 marcas passaram a ser aceitas: Apple Watch, Google Pixel Watch, Samsung Health, Withings, Fitbit, Oura, Polar, Amazfit, Coros, Whoop, Xiaomi Mi Fitness e Wahoo. Essa ampliação no número de plataformas busca aumentar o alcance da pesquisa e diversificar a amostra de participantes.
Ainda dá tempo de participar
Mesmo com o torneio já em andamento, os pesquisadores afirmam que novos voluntários continuam sendo bem-vindos. Segundo eles, não é necessário acompanhar toda a competição para contribuir.
"Qualquer pessoa que queira assistir a algumas partidas ainda pode participar. Até mesmo jogos individuais nos fornecem dados valiosos", explica a professora Christiane Fuchs, co-líder do projeto e responsável pelo grupo de Ciência de Dados da Faculdade de Administração de Empresas e Economia da universidade.
A equipe destaca que torcedores de todas as nacionalidades podem se inscrever, embora participantes do Leste Europeu, do Sul da Europa e da Turquia estejam atualmente sub-representados na base de dados. Os interessados podem se inscrever neste link para conhecer melhor a iniciativa e participar.
O que os cientistas esperam descobrir
Embora seja amplamente conhecido que eventos esportivos provocam fortes emoções, os pesquisadores querem quantificar esse efeito com precisão. A ideia é observar como diferentes momentos de uma partida — gols, lances perigosos, pênaltis ou derrotas inesperadas — influenciam indicadores físicos dos torcedores.
O projeto está vinculado à área de pesquisa QUAMU, da Universidade de Bielefeld, dedicada ao estudo e à quantificação de incertezas em diferentes contextos. Os resultados preliminares deverão ser divulgados ao longo da Copa, especialmente após os jogos da seleção alemã. A expectativa é que o grande volume de dados permita compreender melhor a relação entre emoção, comportamento e respostas fisiológicas em situações de alta intensidade emocional.
Vale salientar que os pesquisadores não estão partindo do zero. Um estudo anterior conduzido durante a final da Copa da Alemanha de 2025 analisou 229 torcedores do clube DSC Arminia Bielefeld e encontrou evidências claras de que acontecimentos dentro de campo afetam diretamente os sinais vitais.
Os torcedores que assistiram à decisão no estádio registraram, em média, 94 batimentos cardíacos por minuto. Já aqueles que acompanharam a partida pela televisão apresentaram média de 79 batimentos por minuto. As diferenças ficaram ainda mais evidentes nos momentos decisivos do jogo. Após os gols, a frequência cardíaca dos torcedores presentes no estádio chegou a aumentar até 36%.
Os resultados sugerem que a experiência de assistir a uma partida ao vivo pode provocar respostas físicas mais intensas do que acompanhar o mesmo evento pela televisão, uma hipótese que a nova pesquisa pretende explorar em uma escala muito maior durante a Copa do Mundo.
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