Redação EdiCase
Sentir que não merece as próprias conquistas é uma realidade para milhares de mulheres bem-sucedidas. A síndrome da impostora afeta profissionais competentes que atribuem seus resultados à sorte ou ao acaso, jamais ao próprio talento. Esse padrão psicológico, por sua vez, compromete carreiras, limita avanços e gera sofrimento emocional desnecessário.
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Segundo Alessandra Belfort, juíza federal e especialista em gestão emocional e carreiras, esse sentimento não surge por falta de mérito. “A síndrome da impostora não tem relação com incompetência, mas com a forma como muitas mulheres foram socializadas a duvidar de si mesmas, mesmo diante de evidências claras de capacidade”, explica.
Romper esse ciclo exige estratégias conscientes e mudança de crenças. Confira caminhos eficazes para superar esse obstáculo!
Segundo Alessandra Belfort, desde cedo mulheres aprendem a ser mais autocríticas. “Enquanto homens são incentivados a se expor e arriscar, mulheres costumam ser cobradas por desempenho impecável. Isso cria um padrão interno de cobrança quase impossível de sustentar”, afirma a especialista.
No ambiente profissional, esse comportamento se intensifica. “Mesmo quando entregam resultados acima da média, muitas mulheres sentem que ainda precisam provar o próprio valor o tempo todo”, destaca.
Um dos aspectos mais paradoxais da síndrome da impostora é que elogios e promoções nem sempre aliviam a insegurança. “O reconhecimento externo, quando não encontra uma base sólida de autoconfiança, pode até aumentar a ansiedade. A mulher passa a temer ser ‘descoberta’ como uma fraude”, explica a juíza federal.
Segundo ela, esse ciclo gera desgaste emocional e pode limitar o crescimento profissional. “Muitas mulheres deixam de se candidatar a cargos mais altos ou oportunidades estratégicas por acreditarem que ainda não estão prontas”, observa.
A longo prazo, a síndrome da impostora pode levar à exaustão, à perda de oportunidades e à insatisfação profissional. “Viver em estado permanente de dúvida consome energia emocional e impede que a pessoa reconheça sua própria trajetória”, alerta Alessandra Belfort.
Ela ressalta que o problema não é individual, mas estrutural. “Não se trata de ‘falta de confiança pessoal’, e sim de um sistema que historicamente questiona a legitimidade feminina em posições de destaque”, pontua.
Para enfrentar a síndrome da impostora, a especialista defende o fortalecimento do autoconhecimento e da consciência emocional. “É fundamental aprender a diferenciar autocrítica saudável de autossabotagem. Reconhecer conquistas não é arrogância, é maturidade emocional”, afirma.
Alessandra Belfort destaca a importância de ambientes profissionais mais seguros e inclusivos. “Quando mulheres se sentem legitimadas, valorizadas e respeitadas, a dúvida interna perde força. Confiança não nasce do nada; ela é construída ao longo do caminho”, finaliza.
Por Daniele Bombarda
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