Redação
O júri popular do agente de trânsito Natan Ivo Tomás da Silva teve início na manhã desta quinta-feira (19), três anos e meio depois da tentativa de homicídio a tiro contra o motorista de transporte por aplicativo Rommel Gomes Soares. O crime aconteceu no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió, depois de um desentendimento entre os dois.
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Em depoimento, logo no começo do julgamento, Rommel disse como foi o primeiro contato com o agente de trânsito que desencadeou uma agressão e um disparo de arma de fogo.
O motorista de app contou que questionou Natan Ivo sobre o trabalho de técnicos da Equatorial que resolviam um problema de desabastecimento de energia na rua onde residia. Sem saber o motivo, ele afirmou que o integrante da antiga SMTT o tratou mal e o agrediu fisicamente.
"Ele estava dentro da viatura e o outro [também agente] fazia o isolamento do lado de fora", explicou ao destacar também que se abaixou na altura da porta da viatura para ter a conversa com Natan Ivo, que estava sentado no banco do motorista. Nesse momento, o agente teria perguntado: "o que você quer?", e dado um tapa no rosto do motorista de app.
"Como qualquer se humano revidei. E ele pegou a arma e já atirou em mim, depois fugiu do local pegando o amigo que estava isolando a rua mais na frente", continuou Rommel ao reforçar que não houve discussão entre os dois.
"Só estava vendo o sangue", diz vítima
De acordo com a vítima, a bala entrou pela caixa torácica e saiu pelo braço, perto da axila. Rommel afirmou que, depois de baleado, foi socorrido pela tia, que morava em uma casa nas proximidades, e foi levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento. Depois, o motorista de app foi levado ao Hospital Geral do Estado, onde recebeu o tratamento até a alta médica.
"Na hora não percebi onde tinha entrado, porque só estava vendo o sangue no braço. Ainda tenho a camisa em casa, o local onde a bala entrou ficou queimado", acrescentou no depoimento.
O motorista de app lembrou ainda que ficou cerca de três meses sem trabalhar. Ele disse que tinha dificuldades no retorno, pois o cinto de segurança o machucava, pois tocava no local da entrada do projétil.
O júri popular está sendo conduzido pelo juiz Yulli Roter Maia, na 7ª Vara Criminal da Capital, e é realizado no Fórum do Barro Duro.
O caso
Natan Ivo trabalhava na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito quando atirou contra Rommel após um desentendimento no dia 10 de novembro de 2022, por volta das 17h, no bairro Tabuleiro do Martins.
De acordo com os autos, a vítima recebeu a ligação da esposa, que o informou sobre uma falta de energia na rua onde moravam. Rommel se dirigiu até o local onde uma equipe da empresa Equatorial Alagoas trabalhava, e dois agentes da SMTT auxiliavam a equipe.
Ao perceber que os funcionários da Equatorial deixaram o local sem solucionar o problema, a vítima foi até Natan Ivo para cobrar providências, o que resultou no desentendimento. O agente atingiu o rosto de Rommel, que revidou e foi alvo de um disparo de arma de fogo. Após cometer o crime, Natan Ivo fugiu do local na viatura da SMTT.
A bala atingiu uma placa de platina que estava adaptada na clavícula da vítima, sem provocar maiores gravidades. O homem se recuperou e passa bem.
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