STJ determina soltura de funcionários da Vale e engenheiros presos por rompimento de barragem

Publicado em 05/02/2019, às 15h24
Reprodução Folhapress -

Folha de S. Paulo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar aos funcionários da Vale e engenheiros terceirizados que foram presos no caso da tragédia em Brumadinho.

LEIA TAMBÉM

A prisão ocorreu na última terça-feira (29), quatro dias após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro.

Na ocasião, foram presos três funcionários da mineradora dona da barragem que tinham envolvimento e responsabilidade direta pela mina e seu licenciamento, e dois engenheiros da prestadora de serviços Tüv Süd.

A liminar coloca em liberdade os engenheiros Andre Jum Yassuda e Makoto Namba, ambos da Tüv Süd, Rodrigo Artur Gomes de Melo, gerente executivo operacional da Vale, Ricardo de Oliveira, gerente de meio ambiente da Vale e César Augusto Paulino Grandchamp, geólogo da Vale.

A Tüv Süd foi a empresa contratada para fazer os laudos de estabilidade de 2017 e 2018 da barragem que se ruiu. O último documento, assinado por Makoto Namba, declarava a estrutura estável, mas apontava uma série de problemas que deveriam se corrigidos pela empresa, conforme a Folha mostrou nesta segunda (4).

Nele, estão citados pontos de erosão superficial da ombreira (lateral da barragem), indícios de alagamento a jusante (logo após a barragem), assoreamento e trincas em canaletas de drenagem e danos nos tubos de PVC das saídas do sistema de drenagem, entre outros problemas que deveriam ser sanados pela Vale para garantir as condições de segurança da estrutura.

A Vale afirmou via assessoria de imprensa que “o documento não apresentava problemas e, sim, continha recomendações”. Todas foram cumpridas ainda em 2018, diz a empresa, que ressalta que são “recomendações rotineiras em laudos deste gênero.”

Segundo o relator da decisão desta terça, o ministro Nefi Cordeiro, a soltura se justifica porque os engenheiros e funcionários da Vale já prestaram declarações, já foram feitas buscas e apreensões e não foi apontado qualquer risco que eles pudessem oferecer à sociedade.

A operação do dia 29 era apenas para a prisão temporária, que pudesse ajudar na apuração e responsabilização do rompimento. Os cinco prestaram depoimento ao Ministério Público de Minas Gerais.

Apesar de ressaltarem a gravidade do fato ocorrido e a comoção social causada pela tragédia, os ministros do STJ entenderam que não haver fundamentos idôneos para as prisões.

O advogado dos engenheiros da Tüv Süd, Augusto Arruda Botelho, comemorou a decisão.

“A decisão tomada de forma unânime [pelo STJ], o que é absolutamente atípico. Só reforça a ilegalidade da prisão decretada, restabelece novamente a Justiça. E que seja feita uma investigação profunda e detalhada das causas do rompimento.”

Após o rompimento da barragem, no dia 25, foram levantadas hipóteses sobre a validade dos laudos que atestaram a sua segurança. A barragem da Mina Córrego do Feijão não recebia novos rejeitos de minério desde 2015 e seria desativada definitivamente. Em dezembro, foi obtida a licença para o reaproveitamento dos rejeitos e o encerramento das atividades.

Na sexta-feira (1º), a Folha revelou que a Vale já sabia que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as áreas industriais da mina de Córrego do Feijão, incluindo o restaurante e a sede daunidade,antes da tragédia de Brumadinho (MG).

Até a publicação deste texto, 134 mortes decorrentes do rompimento foram confirmadas. Outras 199 pessoas estão desaparecidas.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vídeo: criança fica com farpa de madeira presa nas amígdalas após comer carne moída Bolsonaro apresenta piora da função renal, diz boletim médico Troca de advogado de Vorcaro sinaliza possível delação premiada Polícia fecha centro de treinamento do CV para adolescentes em ilha de área indígena