Suplementos alimentares: o que você precisa saber antes de usar

Publicado em 08/04/2026, às 14h00
- O consumo de suplementos alimentares requer equilíbrio e orientação adequada (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)

Redação EdiCase

A busca por mais saúde, disposição e equilíbrio tem impulsionado o consumo de suplementos alimentares no Brasil. Segundo dados da pesquisa Tetra Pak FSN Global Consumer, realizada em parceria com a Ipsos em 17 países, os brasileiros lideram o ranking global quando o assunto é associar a suplementação ao bem-estar mental.

LEIA TAMBÉM

Segundo a pesquisa, 45% das pessoas fazem essa conexão, percentual superior ao de países como Arábia Saudita (42%) e Itália (41%), enquanto a média global é de 33%. Entre os principais motivos citados estão o apoio à saúde física (58%), a garantia da ingestão adequada de nutrientes (51%) e a manutenção da energia ao longo do dia (47%).

Esse cenário ajuda a explicar por que os suplementos têm ganhado tanto espaço na rotina, muitas vezes vistos como um atalho para suprir necessidades do organismo. No entanto, profissionais da saúde alertam que essa lógica pode simplificar uma questão mais complexa: na maioria dos casos, a base da saúde continua sendo a alimentação.

De acordo com Ana Carolina Weirich, profissional da área de nutrição do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a suplementação não deve ser encarada como regra. “Suplementos vitamínicos não são necessários para todas as pessoas. Indivíduos saudáveis, que mantêm uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais, geralmente obtêm suas vitaminas diretamente dos alimentos”, afirma a profissional.

Quando a suplementação é necessária?

Embora o consumo tenha se popularizado, Ana Carolina Weirich explica que “os suplementos são indicados quando há uma deficiência diagnosticada ou necessidades específicas”, em que existe aumento de demanda nutricional ou dificuldade de atingir as necessidades apenas com a alimentação. Nesses casos, a orientação profissional é essencial para avaliar a real necessidade. Entre as situações mais comuns para indicação de suplementação estão:

Priorizar suplementos em vez da alimentação pode comprometer a qualidade da nutrição (Imagem: YAKOBCHUK VIACH | Shutterstock)

Os perigos de trocar a alimentação por suplementos

O crescimento da indústria wellness e o discurso associado à performance e ao bem-estar têm levado muitas pessoas a priorizarem cápsulas em detrimento da alimentação cotidiana. No entanto, essa inversão pode comprometer a qualidade da nutrição. Isso porque alimentos in natura oferecem uma combinação de nutrientes, fibras e compostos bioativos que não são totalmente reproduzidos em suplementos isolados. Na prática, isso significa que uma dieta equilibrada tende a ser mais completa e eficiente para o organismo.

De acordo com Ana Carolina Weirich , antes de considerar qualquer tipo de suplementação, é fundamental fortalecer hábitos básicos. A nutricionista destaca que é preciso “manter uma dieta equilibrada e balanceada, priorizando o consumo diário de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, e evitando alimentos ultraprocessados, gordurosos e ricos em açúcar e sódio”, orienta.

Diante do cenário marcado pela busca por soluções rápidas, o consumo de suplementos tende a aparecer como resposta imediata para demandas de saúde e bem-estar. No entanto, a nutricionista afirma que o caminho mais consistente ainda passa pelo básico: uma alimentação equilibrada, variada e adequada à rotina de cada pessoa.

Para além de adicionar produtos à dieta, o desafio está em reconstruir a relação com a comida, priorizando qualidade, regularidade e diversidade como pilares para uma vida mais saudável.

Excesso de suplementos pode causar prejuízos à saúde

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de suplementos, muitas vezes guiado por recomendações informais ou tendências. Diferente do que se imagina, “o uso de vitaminas e minerais sem necessidade e acompanhamento pode ser prejudicial à saúde, pois o consumo excessivo não traz benefícios adicionais à saúde, causando toxicidade e sobrecarga hepática e renal”, ressalta Ana Carolina Weirich.

Sendo assim, a decisão de incluir suplementos na rotina deve sempre considerar as necessidades individuais, o histórico de saúde e, quando necessário, exames laboratoriais. A avaliação profissional permite identificar a real necessidade e o tipo, a dose e o tempo de uso adequados.

Por Nayara Campos

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Chás para dormir melhor: 7 receitas caseiras e eficazes Espada-de-são-jorge: 5 motivos para cultivar a planta que afasta o mau-olhado Panqueca americana: 3 receitas proteicas para o lanche da tarde Não consegue emagrecer? Veja 7 motivos que dificultam a perda de peso