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Surto de hantavírus em navio tem casos suspeitos em 5 países; 3 pacientes são internados na Europa

Publicado em 07/05/2026, às 11h18
- BBC News

Folhapress

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Três pessoas evacuadas do navio de cruzeiro MV Hondius foram hospitalizadas na Europa, enquanto casos suspeitos de hantavírus ligados à embarcação foram registrados em ao menos cinco países. O navio tem previsão de atracar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, no domingo (10).

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Um paciente foi internado em um centro médico universitário em Leiden, nos Países Baixos, e outro no hospital universitário de Düsseldorf, na Alemanha. A último pousou em Amsterdã na manhã desta quinta-feira (7).


Segundo Ann Lindstrand, representante da OMS (Organização Mundial da Saúde) em Cabo Verde, os três estão em condição estável e um deles é assintomático.


Além dos evacuados, um homem segue hospitalizado em Joanesburgo, na África do Sul, e outro em Zurique, na Suíça. O Ministério da Saúde holandês informou à AFP que uma comissária de bordo da KLM foi hospitalizada em Amsterdã com sintomas compatíveis com a doença após ter tido contato com uma passageira que morreu de hantavírus na África do Sul.


Em Singapura, dois residentes que estiveram a bordo foram isolados enquanto aguardam resultado de testes. Nos Estados Unidos, pessoas em ao menos três estados eram monitoradas por possível exposição, segundo o New York Times, apesar de nenhuma ter apresentado sintomas. Já o Reino Unido orientou dois cidadãos britânicos que retornaram da embarcação a se isolar.


O cruzeiro transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades na rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde. A OMS contabiliza três casos confirmados e cinco suspeitos, além de três mortes —uma com causa confirmada pela doença e as outras duas ainda sob investigação.


Anais Lagand, especialista da OMS em febres hemorrágicas virais, disse à AFP que o período de incubação do vírus, de uma a seis semanas, aponta para exposição anterior à partida de Ushuaia, em 1º de abril.


"Claramente teve exposição antes do embarque", afirmou, acrescentando que a origem "está, sem dúvidas, ligada a um roedor". O biólogo Raúl González Ittig, professor da Universidade Nacional de Córdoba, considera improvável que a infecção tenha ocorrido em Ushuaia, já que nunca houve registro de hantavírus nem roedores infectados na Terra do Fogo.


A Argentina anunciou o envio de especialistas a Ushuaia para investigar a possível presença do vírus na região. O país registrou 101 casos de hantavírus no período epidemiológico atual —quase o dobro do anterior—, mas autoridades e especialistas descartam a ocorrência de um surto no país.


A cepa identificada nos casos confirmados é a Andes, a única variedade do hantavírus com potencial de transmissão entre pessoas —embora isso seja raro e associado a contato muito próximo e prolongado. O último surto conhecido da variante no país ocorreu em 2018, em Epuyén, no sul da Argentina, quando 15 pessoas morreram após contágio em uma festa.


Preocupa as autoridades o fato de a mulher holandesa que morreu ter viajado com sintomas em um voo comercial de Santa Helena para Joanesburgo, com 82 passageiros e seis tripulantes a bordo. A operadora Oceanwide Expeditions informou que 30 passageiros desembarcaram em Santa Helena em 24 de abril.


À AFP, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou, no entanto, que a situação não se assemelha ao início da pandemia de Covid. "O risco para o resto do mundo é baixo", disse.


Após a chegada às Ilhas Canárias, todos os estrangeiros sem sintomas graves serão repatriados, segundo a ministra da Saúde espanhola, Mónica García. Os 14 espanhóis a bordo serão levados a um hospital militar em Madri, onde permanecerão em quarentena. A operadora informou que ninguém a bordo apresenta sintomas no momento.

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