Revista Crescer
A Inglaterra tem enfrentado um surto de meningite, que se espalhou rapidamente em poucos dias em Kent, no sudeste do país. Segundo informações divulgadas pelo governo do Reino Unido nesta quarta-feira (18), já foram notificados 20 casos da doença. Duas mortes foram registradas: um estudante de 21 anos da Universidade de Kent e uma secundarista de 18 anos da cidade de Faversham.
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Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) afirmou que também está ciente de um bebê com infecção confirmada por meningococo do grupo B. No entanto, não está relacionado ao surto.
Os casos "sem precedentes" tem surgido entre estudantes universitários. Acredita-se as pessoas infectadas teriam frequentado uma discoteca, o Clube Chemistry, em Canterbury, entre 5 e 7 de março. É possível que o número de casos continue crescendo, já que o período de incubação pode chegar a 14 dias.
Vale destacar que seis dos casos confirmados são de doença meningocócica do grupo B. Essa cepa bacteriana é mais rara e letal do que a forma viral.
Segundo a proprietária do Clube Chemistry, cerca de duas mil pessoas passaram pelo local naqueles dias, e vários funcionários da discoteca precisaram ser hospitalizados.
A meningite é considerada uma doença rara no Reino Unido, com cerca de 350 casos por ano, mas pode se espalhar com mais facilidade em ambientes fechados, como residências universitárias. Os estudantes estão entre os grupos mais vulneráveis, já que a bactéria pode permanecer no nariz ou na garganta sem causar sintomas e ser transmitida por tosse, espirros, beijos ou pelo compartilhamento de bebidas.
Prevenção e tratamento
Médicos de todo o Reino Unido foram orientados a prescrever antibióticos a qualquer pessoa que tenha frequentado o Clube Chemistry nesse período, além dos estudantes da Universidade de Kent. A instituição também pediu que todos os alunos que tiveram contato com pessoas infectadas procurem tratamento.
Até agora, cerca de 2.500 pessoas na região de Canterbury já receberam antibióticos, de acordo com o governo britânico. Na última terça-feira (17), a UKHSA anunciou um programa de vacinação direcionado contra a meningocócica do grupo B para estudantes que vivem em dormitórios da Universidade de Kent. O órgão afirmou que a iniciativa poderá ser ampliada posteriormente.
Na última segunda-feira (16), centenas de estudantes formaram filas no campus da Universidade de Kent para receber antibióticos de forma preventiva.
O que é meningite?
A meningite é uma inflamação das meninges — membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Segundo o presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria (SAP), Marcos Gonçalves, microrganismos como bactérias, vírus, protozoários e fungos podem se alojar na nasofaringe e, a partir daí, invadir a corrente sanguínea, alcançar o sistema nervoso e provocar a inflamação dessas membranas.
Como ocorre a transmissão?
A meningite pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos — e cada tipo se transmite de um jeito diferente. A meningite bacteriana costuma passar de pessoa para pessoa por gotículas da respiração, como tosse, espirro e beijos, embora algumas bactérias também possam vir de alimentos.
É mais comum observar meningites causadas por bactérias, como:
Bactérias Neisseria meningitidis (Doença Meningocócica Invasiva)
Streptococcus pneumoniae (pneumococo)
Já a meningite viral pode ser transmitida pelo contato com pessoas infectadas, objetos contaminados ou até por água e alimentos, além de, em alguns casos, picadas de mosquito.
A meningite por fungos não passa de pessoa para pessoa: ela acontece quando a pessoa inala esporos (pequenos pedaços de fungos) presentes no ambiente, como no solo ou em locais com fezes de animais.
Quais são os principais sintomas?
A doença requer atendimento médico imediato, pois pode evoluir rapidamente ao longo do tempo. Veja os sintomas, de hora em hora:
*0 a 8 horas: sintomas iniciais inespecíficos
9 a 15 horas: sintomas clássicos da doença
16 a 24 horas: pode progredir de sintomas iniciais não específicos a óbito em 24h
Quais são as vacinas para meningite?
Vacina meningocócica C, ACWY e B: protege contra doença meningocócica. No SUS, estão disponíveis a vacina C e ACWY.
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