Técnico seria psicopata e matava por prazer, diz delegado sobre principal linha de investigação

Publicado em 21/01/2026, às 16h10
João Clemente Pereira, 63; Miranilde Pereira da Silva, 75; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33: os três morreram no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF) - Arquivo pessoal

Raquel Lopes / Folhapress

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O delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa do Distrito Federal, afirmou que a principal linha de investigação até o momento aponta que o técnico de enfermagem suspeito de envolvimento em três mortes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), seria um psicopota que cometeu os crimes por prazer.

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Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, é apontado como o principal suspeito pelas mortes. Também foram presas as técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa, suspeitas de envolvimento nos óbitos.

Os três são investigados pelas mortes de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. A Polícia Civil, contudo, diz acreditar que pode haver mais mortes ligadas aos suspeitos.

"Até agora, essa é a hipótese mais forte. Os investigadores apuram ainda se o principal suspeito pode ter manipulado os outros dois técnicos para auxiliá-lo nos crimes. Uma delas estava em treinamento, tinha 22 anos, e estava no primeiro emprego; a outra era amiga do suspeito havia muitos anos", disse.

As imagens, segundo o delegado, mostram que as duas acompanharam a preparação e a aplicação do medicamento.

Em um dos casos, uma das técnicas teria permanecido no quarto observando a aplicação sem intervir. Em outro episódio, a outra investigada, que atuava em setor diferente, aparece dando cobertura, observando a porta enquanto o medicamento era aplicado.

A polícia aguarda os laudos periciais de celulares e computadores apreendidos para tentar esclarecer o real motivação dos crimes e verificar se houve comunicação entre os investigados ou com terceiros.

"É isso que pode amarrar melhor o porquê desses crimes", disse Iacuzzi. A previsão é que os laudos fiquem prontos entre 15 e 20 dias.

Segundo o delegado, as versões apresentadas pelo principal investigado não se sustentam diante das provas já reunidas.

De acordo com o delegado, o técnico inicialmente alegou que teria agido de cabeça quente, sob estresse do plantão. Em seguida, passou a afirmar que teria sentido pena das vítimas e queria aliviar o sofrimento delas.

"As justificativas não fecham. A professora aposentada de 75 anos estava consciente e havia sido internada por constipação intestinal. Não era uma pessoa em sofrimento intenso", disse.

Segundo o delegado, as investigações apontam que os pacientes sofreram paradas cardíacas após a aplicação de medicamentos em dosagens incompatíveis com qualquer prescrição médica.

Imagens do circuito interno do hospital mostram o principal suspeito falsificando receitas e preparando a substância. "Nenhum médico receitaria aquilo. Se aplicar do jeito que estava ali, mata", afirmou o delegado.

Os três técnicos devem responder por homicídio qualificado, com duas qualificadoras já apontadas: meio insidioso, pelo uso de medicamento; e impossibilidade de defesa das vítimas, que estavam acamadas. Cada crime pode resultar em pena de 12 a 30 anos de prisão.

Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil afirma que pretende abrir uma nova investigação para apurar se os suspeitos podem ter atuado em outros hospitais.

"Vamos analisar prontuários de pacientes que morreram em plantões deles, tanto no Hospital Anchieta quanto em outros locais onde trabalharam", afirmou o delegado.

As duas técnicas presas foram encaminhadas ao presídio da Colmeia, diante da inexistência de estrutura para custódia de mulheres na carceragem da Polícia Civil. O principal suspeito permanece detido na carceragem da corporação durante o período de prisão temporária.

A expectativa da investigação é que a detenção seja convertida em prisão preventiva após a conclusão das perícias.

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