Revista Galileu
Da mesma forma que vemos desenhos nas nuvens, os astrônomos enxergam formas criativas em corpos celestes localizados a muitos anos-luz de nós. A Nebulosa Olho de Gato e a Nebulosa da Gaivota são alguns exemplos nessa linha. E uma nova observação do Telescópio Espacial James Webb registrou novos detalhes da nebulosa PMR 1, apelidada “Nebulosa Crânio Exposto”.
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O nome não é por acaso. Localizada a cerca de 5 mil anos-luz da Terra, na constelação de Vela, a PMR 1 é uma nuvem de gás e poeira que se assemelha muito a um cérebro dentro de um crânio transparente. Em seu centro, está uma estrela em fim de vida.
Como destaca o site Space.com, jatos polares de gás ionizado da estrela moribunda podem ser os responsáveis pela fenda no meio da nebulosa, que parece dividir o “cérebro espacial” e os lobos esquerdo e direito. Confira as imagens:
A Nebulosa Crânio Exposto foi descoberta na década de 1990 e já havia sido capturada por um antecessor do Telescópio James Webb há mais de uma década: o Telescópio Espacial Spitzer da NASA.
Só que o avanço tecnológico do mais recente telescópio espacial – associado tanto à NIRCam (Câmera de Infravermelho Próximo) quanto o MIRI (Instrumento de Infravermelho Médio) – realça detalhes da nebulosa antes não vistos.
“A resolução do Webb mostra que essa fenda pode estar relacionada a uma explosão ou fluxo de saída da estrela central, que tipicamente ocorre quando jatos gêmeos irrompem em direções opostas. A evidência disso é particularmente notável no topo da nebulosa na imagem do MIRI do Webb [à direita], onde parece que o gás interno está sendo ejetado para fora”, diz comunicado da NASA.
Espetáculo no fim da vida
Saber que a estrela no centro da PMR 1 está em processo de morte é importante para entender como a nebulosa adquiriu esse formato cerebral. Quando foi descoberta, os cientistas sugeriram que se tratava de uma estrela Wolf-Rayet, um tipo tão massivo e instável de estrela que expele sua massa por jatos de radiação potentes.
Isso faz com que uma nebulosa se crie antes mesmo da explosão mortal da estrela, criando essa condição que observamos pelo registro do James Webb. Porém, essa teoria nunca chegou a ser confirmada, de forma que a Nebulosa Crânio Exposto pode apenas ser uma nebulosa planetária comum com uma estrela em fase de gigante vermelha ejetando ventos estelares.
“O Webb capturou um momento no declínio dessa estrela. O que acontecerá em última instância dependerá da massa da estrela, que ainda precisa ser determinada. Se for massiva o suficiente, explodirá em uma supernova. Uma estrela menos massiva, semelhante ao Sol, continuará a expelir camadas até que reste apenas seu núcleo como uma anã branca densa, que esfriará ao longo de eras”, explica o comunicado.
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