Temer indica que pode desistir de reeleição e diz que chance de ser destituído é zero

Publicado em 04/05/2018, às 13h20

Redação

O presidente Michel Temer admitiu nesta sexta-feira (4) a possibilidade de não disputar reeleição em outubro.

LEIA TAMBÉM

Em entrevista a veículos do sistema EBC, Temer foi questionado sobre se o clima político acirrado poderia fazer com que ele desistisse de disputar novo mandato à frente do Palácio do Planalto.

Com reprovação de 70% de acordo com última pesquisa Datafolha, o presidente foi indagado se acontecimentos como a hostilização que sofreu em São Paulo na terça (1º) o desmotivariam de ser candidato.

"Não seria esse fato que me faria desistir da reeleição. Eu posso não ir para a reeleição na medida que eu comece a perceber o seguinte [...] vejo que no chamado centro tem seis, sete, oito candidaturas, o que não é útil porque você tem que fazer com que o eleitor faça suas opções."

O presidente disse não gostar de rótulos e ao ser questionado sobre ocupar o campo político de centro, definiu-se como "legalista".

Na entrevista de mais de uma hora, Temer disse ser zero a chance de ser destituído agora, quando faltam quase oito meses para o fim de seu governo.

Ele disse ser "pífia" a possibilidade de uma terceira denúncia. O presidente já foi denunciado por duas vezes pelo Ministério Público pelos crimes de obstrução da Justiça, organização criminosa e corrupção passiva. As duas acusações foram suspensas por decisão da Câmara.

Conforme publicou a Folha de S.Paulo, contudo, uma outra investigação em curso apura se Temer lavou dinheiro de propina por meio da compra de imóveis.

"Essa suposta terceira denúncia é uma campanha oposicionista, uma mera hipótese", afirmou. "Eu não tenho a menor preocupação. Há apenas uma campanha deliberada. Isto é para tentar enfraquecer o governo."

O presidente comentou a delação do grupo JBS, que atingiu seu governo pouco depois de ter completado um ano. Ele foi gravado pelo empresário e delator Joesley Batista, dizendo "tem que manter isso, viu?", a frase foi interpretada pela Procuradoria como concordância de Temer para que Joesley comprasse o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso na Lava Jato.

O emedebista afirmou que o episódio da delação foi o "mais injusto" de seu governo e disse que se trata de "inverdades".

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado