Temer se encontrou com cúpula da Globo para discutir delação e reforma

Publicado em 21/12/2017, às 07h25

Redação

Aliados de Michel Temer confirmaram a uma agência nacional de notícias que o atual presidente teve um encontro "discreto" com João Roberto Marinho, do Grupo Globo, no início de outubro, para discutir a cobertura de seu governo pelos veículos da empresa, além de pedir apoio para a reforma da Previdência. A reunião teria sido um pedido de Marinho.

LEIA TAMBÉM

Ainda de acordo com os aliados de Temer, o presidente teria reclamado da cobertura do caso JBS pelos veículos do grupo, que tinha, segundo o político, o objetivo de derrubá-lo.

Procurada, a empresa declarou, via assessoria, que a conversa foi "absolutamente republicana, sem pedidos ou promessas de qualquer das partes". A assessoria de Temer não comentou.

Em 4 de outubro, João Roberto promoveu um jantar na casa de seu irmão Roberto Irineu Marinho para receber Temer e o vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, Paulo Tonet. Um dos principais aliados do presidente, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) costurou o encontro.

Na avaliação do presidente, o comportamento do grupo desde 17 de maio, quando o jornal "O Globo" divulgou a conversa entre ele e o empresário Joesley Batista, cristalizou a percepção de que deu aval à compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ).

A gravação foi usada como base pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apresentar duas denúncias Temer, barradas na Câmara.

Uma das reclamações centrais de Temer foi o editorial de "O Globo" em 19 de maio. Intitulado "A renúncia do presidente", defendia a saída de Temer do cargo como a melhor opção para o país.

O argumento do presidente é que o editorial foi veiculado depois que a divulgação da íntegra dos áudios revelou, na avaliação de Temer, que não houve aval para a compra do silêncio de Cunha.

Temer fez questão de dizer a Marinho que o conteúdo de delações nem sempre é conclusivo e citou informações acerca do acordo de colaboração do empresário J. Hawilla, da agência Traffic, com a Justiça dos EUA. A delação abriu a caixa preta de um esquema de corrupção na Fifa.

Em novembro, o empresário Alejandro Buzarco, ex-homem forte da companhia de marketing argentina Torneos y Competencias, afirmou às autoridades americanas que a TV Globo e outros grupos pagaram propina para transmissão de campeonatos.

Em nota, o Grupo Globo disse "veementemente" que "não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina". 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado