Tenente-coronel está proibido de entrar em prédio onde esposa morreu em SP

Publicado em 10/03/2026, às 16h25
Tenente-coronel Geraldo Leite e a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana - Reprodução / Redes Sociais

Folhapress

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O tenente-coronel Geraldo Leite foi proibido de entrar no condomínio onde morava com a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, 32, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento dos dois.

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Geraldo está bloqueado do prédio desde o dia 27 de fevereiro. A medida ocorreu nove dias após a morte da companheira, que veio a óbito no dia 18.

A decisão também aconteceu depois que o caso de Gisele passou a ser investigado como "morte suspeita". Inicialmente, a ocorrência era apurada como suicídio, mas policiais mudaram a linha de investigação no dia 20 de fevereiro depois que encontraram provas controversas.

O delegado de polícia Lucas de Souza Lopes fez a solicitação de bloqueio por e-mail ao condomínio Piscine Brás. "Solicito que seja bloqueado o acesso ao condomínio do senhor Geral Leite Rosa Neto", escreveu a autoridade, como mostrou o inquérito policial, do qual o UOL teve acesso.

Investigador sugeriu que o impedimento à residência fosse feito mediante aos cadastros do morador. "Deverá ser operacionalizado através do cancelamento do cadastro facial e tags de veículos", acrescentou.

No mesmo dia, o pedido foi aceito pela administração predial. "Acusamos o recebimento do e-mail encaminhado. Informamos que a solicitação de bloqueio foi devidamente atendida e já se encontra concluída", informou o gerente predial nas mensagens.

O UOL tenta apurar se Geraldo realizou alguma tentativa de acesso ao apartamento após o bloqueio. A matéria será atualizada caso haja a informação.

No apartamento, moravam Geraldo, Gisele e a filha da mulher, de um relacionamento anterior. O tenente-coronel alega, no entanto, que dormia em quarto separado da esposa e que há tempos enfrentavam problemas no relacionamento.

Geraldo disse em depoimento que morava com "dois estranhos". "A gente estava vivendo juntos, mas praticamente não se conversava. Então eu chamei ela e falei 'olha, do jeito que a gente está vivendo, não compensa. Estou gastando, não é pelo dinheiro, mas estou gastando 7 mil por mês, para viver com dois estranhos [ela e a filha dela]."

Defesa argumenta que Geraldo não figura como "investigado, suspeito ou indiciado". "Desde o início das apurações, tem colaborado com as autoridades competentes e permanece à disposição para o esclarecimento dos fatos", escreveu o advogado Eugênio Malavasi em nota.

Gisele morreu no hospital no dia 18 de fevereiro. Após manobras de reanimação, a mulher foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, onde sua morte foi constatada às 12h04. A vítima deixa uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.

Em depoimento, Geraldo afirmou que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.

O corpo da PM foi exumado e investigadores aguardam resultado. Também foi solicitada perícia no local, bem como exame para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda de Geraldo foram apreendidos.

À polícia, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento do casal era extremamente conturbado e que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta. Ela afirmou que Geraldo proibia a esposa de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

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