TULIO KRUSE/Folhapress
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, preso há duas semanas sob suspeita de feminicídio e fraude processual, passou oficialmente à reserva da Polícia Militar de São Paulo. Ele é acusado de assassinar a soldado da PM Gisele Alves Santana, 32, com quem era casado, e simular um suicídio.
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A portaria que decidiu transferir o tenente-coronel Neto oficialmente à inatividade foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (2). O documento registra que a transferência ocorreu a pedido do próprio oficial da PM e que ele receberá salário e gratificações, com critérios de pagamento proporcionais à idade.
Segundo o Portal da Transparência do governo estadual, Neto recebeu um salário bruto de R$ 28,9 mil e líquido de R$ 15 mil em seu último vencimento, no mês de fevereiro.
Outros 50 policiais militares também passaram à reserva, e um total de 50 foram promovidos, por meio do mesmo ato da diretoria de pessoal da PM.
Na última segunda-feira (30), o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, assinou o documento que deu início ao Conselho de Justificação do tenente-coronel Neto, processo que pode resultar na expulsão dele da PM.
Caso o conselho decida pela expulsão, ele perderá o salário e eventualmente pode ser transferido para um presídio comum. Hoje ele está no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista, para onde são levados todos os PMs presos da corporação paulista.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública não respondeu às perguntas da reportagem sobre os valores que o tenente-coronel efetivamente receberá. A pasta informou que o Conselho de Justificação "continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva" e que o processo "pode resultar em demissão, perda do posto e da patente".
Além disso, afirmou que o inquérito policial militar em que a Corregedoria da PM apura a morte da soldado Gisele "está em fase final e será encaminhado ao Judiciário". "A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar", afirmou, em nota.
A MORTE DE GISELE
Gisele foi morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no Brás (região central de São Paulo) em 18 de fevereiro. Na ocasião, Neto estava na residência e, ao comunicar a ocorrência, afirmou que a esposa havia cometido suicídio.
Detalhes como a posição de manchas de sangue, marcas de agressão no seu rosto que foram confirmadas por exame complementar, após exumação do corpo e as contradições no depoimento do marido foram as principais provas para que a Justiça determinasse a prisão do tenente-coronel.
Neto desrespeitou uma ordem para que ele não tomasse banho, algo importante para a preservação de provas, já que poderia haver vestígios de sangue em seu corpo. A perícia apontou que ele teria atirado na cabeça de Gisele, alterado a posição do corpo e colocado a arma na mão do cadáver.
Após a prisão de Neto, a defesa do tenente-coronel afirmou que a ordem da Justiça Militar foi ilegal, pois foi proferida por autoridade que não tem competência para julgar crimes comuns como feminicídio, e que houve divulgação de informações da vida privada de Neto "muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade".
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