☰
✕

Tio que engravidou sobrinha de 10 anos no ES é condenado a 44 anos de prisão

Publicado em 05/03/2021, às 10h08
A Gazeta -

UOL

Um homem de 33 anos, acusado de estuprar e engravidar a sobrinha de 10 anos em São Mateus (ES), a 220 km de Vitória, foi condenado a 44 anos, três meses e cinco dias de prisão em regime fechado. Segundo o TJ-ES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo), a sentença foi proferida no início de fevereiro. O caso se encontra em segredo de justiça.

LEIA TAMBÉM

Universa entrou em contato com a defesa do acusado, preso desde agosto, que disse não concordar com a sentença e que já entrou com recurso.

"Respeitamos todas as decisões do Poder Judiciário, mas não concordamos. Já impetramos o recurso de apelação. Entendemos que alguns elementos, alguns requisitos que foram colocados [como] o quantitativo de pena, a defesa não concorda. Vamos em busca de uma sentença justa", afirmou o advogado Antônio Hortêncio.

Por questões de segurança, não foi informado em qual presídio o tio da vítima está preso. "Está no presídio e está bem. Vamos conversar com ele sobre a sentença. Fomos intimados na quarta-feira [24 de fevereiro], e não deu tempo de conversar com ele com a sentença", contou o advogado.

A reportagem tentou contato com a representação da menina, mas até agora não houve retorno.

Menina conseguiu o aborto na justiça

O crime foi divulgado no início de agosto, após a criança de 10 anos reclamar de dores na barriga e buscar ajuda médica. Em um hospital de São Mateus, foi diagnosticada a gravidez. A história tomou repercussão nacional depois que a Justiça capixaba liberou que a garota fizesse um aborto.

A vítima não conseguiu realizar o procedimento no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam). Na época, o hospital alegou "questões técnicas" para não fazer o aborto. A menina então foi transferida para o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam-UPE), onde conseguiu ser atendida na noite do dia 16 de agosto.

A criança, acompanhada da avó, teve que chegar escondida, já que um grupo de manifestantes contrários ao aborto estava na porta do hospital protestando contra a decisão da Justiça de conceder a interrupção da gravidez.

Ainda na época, o Ministério Público do Espírito Santo denunciou a extremista de direita e influenciadora digital Sara Giomini por ter divulgado dados pessoais da vítima nas redes sociais. O MP também denunciou um pré-candidato a vereador de São Mateus, do PSL, que teria pressionado a família da garota a não aceitar a realização do aborto.

Essa alegada pressão exercida por algumas pessoas contra a criança e parentes também estava na mira do MP capixaba.

O tio, acusado do estupro, fugiu e foi preso em Minas Gerais. Ele estava na casa de familiares em Betim (MG), região metropolitana de Belo Horizonte. Ele se entregou à Polícia.

A violência sexual contra a mulher no Brasil

No primeiro semestre de 2020, foram registrados 141 casos de estupro por dia no Brasil. Em todo ano de 2019, o número foi de 181 registros a cada dia, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 58% de todos os casos, a vítima tinha até 13 anos de idade, o que também caracteriza estupro de vulnerável, um outro tipo de violência sexual.

Como denunciar

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Incêndio na APA Alter do Chão (PA) foi controlado, diz prefeitura Novo sistema: celulares em presídios são bloqueados em até 30 minutos com tecnologia para combater facções Morre Solano Ribeiro, crítico e produtor musical, aos 87 anos Acidente com avião da TAM que deixou 99 mortos completa 30 anos