Toffoli negou busca contra Vorcaro e recuou depois que PF apontou evidência de 'novos ilícitos'

Publicado em 14/01/2026, às 14h02
O ministro Dias Tofolli - Carlos Moura / SCO / STF

André Borges / Folhapress

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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), acatou um pedido da PF (Polícia Federal) para realizar novas diligências na residência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (14). Em sua decisão, Toffoli relata ter negado parcialmente um pedido anterior, mas que reconsiderou após novos argumentos trazidos pela PF e pela Procuradoria-Geral da República.

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No despacho que autoriza as buscas contra Vorcaro, o ministro diz que mudou de ideia a partir da nova argumentação, "diante da evidência de prática de novos ilícitos, supostamente cometidos pelo investigado", conforme afirmado pela PF. A corporação também disse ser necessária a "colheita de elementos probatórios complementares".

"Diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria-Geral da República, reconsidero, em parte, a decisão combatida, para deferir novas diligências na residência do investigado D.B.V. [Daniel Bueno Vorcaro]", afirmou Toffoli em sua decisão.

A PF sustenta o novo pedido com base na "atualização dos endereços" e no argumento de que as buscas anteriormente autorizadas teriam sido concedidas com finalidade mais restrita, enquanto a nova etapa exige a ampliação do escopo.

Em sua decisão, o ministro não deixa claro qual seria o motivo de sua rejeição inicial, mas afirma que passou a estar "ciente da informação sobre o correto endereço das pessoas em cujos domicílios serão realizadas as buscas já deferidas".

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi favorável à nova ação da PF. Ele argumentou que "a diligência de busca e apreensão realizada no âmbito da Operação Compliance Zero no endereço sob análise não abrangeu o contexto mais amplo que a apuração em espécie busca examinar, tornando-se, assim, necessário, útil e pertinente que o investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados".

Em outro despacho, Toffoli criticou a Polícia Federal e exigiu explicações em 24h do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, por não cumprir os prazos determinados por ele na segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli também determinou que todo o material apreendido seja guardado no STF e não na PF, como de praxe.

Como a Folha de S.Paulo revelou, duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela reportagem.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros. Disse que a reportagem estabelece "conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados".

A reportagem procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.

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