Ufal: ocupação em leitos de UTI superou limite recomendado para adoção de lockdown

Publicado em 08/03/2021, às 11h32
Foto: Agência Brasil -

Eberth Lins

Alagoas apresentou um "forte e rápido agravamento da pandemia" na 9ª Semana Epidemiológica (SE) - entre os dias 26 de fevereiro e 06 de março - e a ocupação hospitalar em leitos de UTI superou os 80%, limite recomendado pelo Científico do Consórcio Nordeste (C4NE) para adoção de lockdown, isto é, bloqueio total para impedir a circulação de pessoas e ampliar o distanciamento social.

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Os dados são do Observatório Alagoano de Políticas Públicas Para o Enfrentamento à Covid, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que chama atenção para o descontrole da pandemia em todo o território alagoano.

Na 9ª semana epidemiológica, Alagoas contabilizou 3.883 novos casos e 84 óbitos foram notificados. Os números, de acordo com o Observatório, representam um incremento de 20% e 27%, respectivamente, em relação à semana anterior.

Para o coordenador do Observatório, Gabriel Bádue, no atual estágio, não há outro caminho para o controle da transmissão que não seja a restrição da movimentação de pessoas. "Infelizmente as medidas de mitigação, como uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social adotados até aqui não foram suficientes", frisou o pesquisador.

"Caos generalizado"

Bádue destacou ainda que as preocupações deste momento, a chamada "segunda onda" da doença, são maiores, visto que em todo o país os estados estão perdendo na luta contra o vírus, amargando números alarmantes relacionados ao vírus.

"Diferente da primeira onda em que o pico de contaminação se alternou entre as diferentes regiões do país, agora temos um caos generalizado, o que dificulta estratégias de remoção de pacientes e intercâmbio entre profissionais da saúde. Além disso, teremos uma pressão ainda maior por suprimentos", pontuou.

Coordenador do Observatório, Gabriel Bádue. Foto: Ascom Ufal 

"A sociedade precisa entender que o colapso do sistema de saúde irá representar um massacre. As pessoas morrerão sem atendimento. E não é só de Covid. Não teremos leitos para vítimas de acidentes automobilísticos ou de pessoas com problemas cardiovasculares", alertou o coordenador.

Interiorização da doença 

Mais uma vez, o interior superou Maceió tanto em relação aos novos casos quanto aos óbitos. O município que acumulou números mais preocupantes foi Arapiraca, que teve a maior incidência de novos casos e óbitos para cada 100 mil habitantes

Casos suspeitos em alta 

Outra tendência de alta são os milhares de casos em investigação laboral, que nesse domingo (07) chegou a 13.186, de acordo com boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Os resultados positivos entre os testes RT-PCR realizados pelo Lacen também continuam subindo, superando 65% de todos os exames conclusivos divulgados na 9ª SE.

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