Um ano após morte de Gabriel Lincoln, pai cobra Justiça: "Ferida que não cicatriza"

Publicado em 04/05/2026, às 16h13
Cícero Bezerra Pereira, pai de Gabriel - Reprodução / Redes sociais

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Um ano após a morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, o pai do jovem falou sobre a expectativa pela audiência de instrução que vai avaliar a denúncia sobre os três policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte de Gabriel. O caso aconteceu no dia 03 de maio de 2025, na cidade de Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas.

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Cícero Bezerra Pereira, pai de Gabriel, disse que a audiência estava marcada inicialmente para 22 de abril, mas que precisou ser remarcada para o próximo dia 15 de maio.

"A gente está na expectativa que esse momento aconteça para termos um desfecho. Que os réus, os envolvidos, sejam punidos pela forma da lei. Porque a atrocidade que fizeram com um jovem de 16 anos, que só queria trabalhar. O fato de ter acontecido com ele por estar de motocicleta e ser menor de idade, ter a sua sentença de pena de morte decretada de uma maneira covarde, que foi imputada a ele pelos PMs. Isso não se faz. É uma indignação imensa, uma ferida que não cicatriza nos nossos corações".

Gabriel Lincoln tinha 16 anos (Foto: Reprodução / Arquivo pessoal)

 

O caso 

O adolescente de 16 anos foi baleado e morreu após ser perseguido por uma viatura da Polícia Militar na noite do sábado, 03 de maio de 2025, no município de Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas. Segundo a PM, a tentativa de abordagem aconteceu por conta de manobras perigosas que teriam sido praticadas pelo menor em uma motocicleta. O jovem foi morto após ser atingido por um disparo de arma de fogo. 

Por meio de nota na ocasião, a PM informou que no momento em que a viatura emparelhou com o motociclista, o adolescente teria sacado uma arma e disparado contra a viatura. Essa versão foi contestada pelos familiares de Gabriel desde o primeiro momento. 

A Polícia Civil verificou nas investigações que o adolescente estava desarmado no momento da perseguição e que os três policiais militares apresentaram um revólver como se fosse da vítima, na tentativa de forjar um cenário de legítima defesa. Os investigadores entenderam que um militar fez o disparo de forma acidental, e foi indiciado por homicídio culposo.

O Ministério Público do Estado de Alagoas discordou da conclusão da Polícia Civil e alegou que foi um homicídio praticado com dolo eventual, qualificado pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, pois o sargento do Pelotão de Operações Policiais Especiais (Pelopes), ao sacar a sua arma e efetuar disparo em direção à vítima, mesmo alegando não querer o "resultado morte", previa que viesse a ocorrer. Logo, naquele momento, ele assumiu o risco de provocar o dano.

Os três policiais que participaram da abordagem foram afastados preventivamente pela Justiça em outubro do ano passado. O caso gerou ampla repercussão em Alagoas e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL) chegou a realizar uma reprodução simulada da abordagem policial. A família de Gabriel se reuniu, em agosto, com secretários executivos da pasta para cobrar rigor nas apurações. 

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