Um Brasil verde e amarelo com a economia em vermelho

Publicado em 24/03/2026, às 18h00

Flávio Gomes de Barros

Os dados são de apenas cinco meses atrás, apurados pela Serasa Experian, e por serem tão recentes refletem a realidade do país: a inadimplência entre as empresas brasileiras bateu novo recorde em novembro de 2025, atingindo 8,9 milhões de CNPJs, maior número desde o início da série histórica - juntas, somam mais de R$ 210,8 bilhões em dívidas negativadas.

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Isso é entendido como resultado de juros elevados e crédito mais restritivo, aumentando a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações, pelo pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita.

De acordo com o economista Lucas Sorgato, o endividamento por si só não é ruim, já que as empresas se endividam para poder buscar um crescimento para o seu negócio, mas a situação fica complicada quando a questão chega à inadimplência.

Suas observações a respeito da situação econôimca atual:

“o Brasil hoje tem uma taxa de juros muito alta, então em casos de falta de pagamento essa dívida cresce mais ainda, o que é muito ruim para a continuidade dos negócios. Por isso o número é considerado alto. Além disso, a maioria das endividadas são micro e pequenas empresas, ou seja, o pujante de CNPJs da economia nacional”;

“são empresas que tem mais dificuldade de crédito, as que têm taxas mais altas do que os outros e as que não têm garantias para dar de contrapartida. Por isso tantas se encontram nessa situação”;

“pode ser que exista alguma coisa, pois temos um período eleitoral se aproximando e há interesse em se aumentar a arrecadação. Além disso, há também a reforma tributária entrando em vigor na prática para o ano que vem, o que pode ser uma saída para esse empresário”;

O economista lembra que a situação criou um aumento no petróleo, que incide numa alta dos combustíveis:

“São materiais imprescindíveis para levar produtos até a população. Logo, também temos um aumento de frete e de inflação, que é combatido pelo Banco Central com variações nos juros. Assim, isso pode indicar que a redução cogitada no início do ano para até o final de 2026 não aconteça”.

A maior parte das empresas negativadas eram do setor de “Serviços” (55,2%), em seguida ficaram as do “Comércio” (32,7%), e “Indústria” (8,1%).

 

 

 

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