Flávio Gomes de Barros
Pela primeira vez uma sondagem sobre a intenção de voto a respeito da eleição para a Presidência da República deste ano aumenta a apreensão no Palácio do Planalto.
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Pesquisa Datafolha revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em condições de igualdade agora não apenas com Flávio Bolsonaro (PL), mas também com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
É o que explica o jornalista Josias de Souza, no portal UOL:
“A nova rodada do Datafolha trouxe duas novidades perturbadoras para Lula. A primeira é que a vantagem do presidente nos cenários de segundo turno se dissipou. A segunda é que Flávio Bolsonaro já não é o único desafiante competitivo da direita.
Flávio aparece pela primeira vez no Datafolha numericamente à frente de Lula: 46% a 45%. Contra Caiado ou Zema, Lula prevalece com uma vantagem magra: 45% a 42. Nos três casos, a situação é de empate técnico. A pesquisa consolida a percepção de que a sucessão de 2026 envolve duas disputas estratégicas.
Antes de enfrentar Lula na segunda rodada da eleição, a direita terá que trocar socos consigo mesma no primeiro round, num embate pelo posto de anti-Lula. Para se firmar como opções reais, Caiado e Zema precisam seduzir eleitores de centro e roubar votos de Flávio entre os conservadores. Não será fácil, pois o filho de Bolsonaro, em curva ascendente, larga com enorme vantagem sobre os rivais da faixa da direita.
Na simulação de primeiro turno, Lula ostenta os mesmos 39% que amealhava em março. Flávio oscilou dois pontos para cima, batendo em 35%. Caiado, agora formalizado como presidenciável oficial do PSD, se moveu de 4% para 5%. Zema escorregou de 5% para 4%. Ou seja: na largada da corrida presidencial, ambos ainda são pigmeus eleitorais. Ou avançam sobre Flávio ou continuarão ralando na faixa de um dígito.
O desempenho de Caiado revelou-se mais exuberante no cenário hipotético de segundo turno. Na pesquisa de março, ele perdia no embate direto contra Lula por 46% a 36%. Diferença de dez pontos percentuais. Agora, com um placar de 45% a 42%, a diferença se estreitou para apenas três pontos.
Caiado dispõe de material para se contrapor a Flávio. Conta com a experiência de dois governos bem avaliados em Goiás. Mantém vínculos históricos com o agronegócio. Não carrega na mochila imoralidades como a rachadinha ou vínculos com milicianos.
Expondo os pés de barro de Flávio, Caiado se arrisca a empurrar o eleitor anti-bolsonarista de centro para o colo de Lula. Mas se preservar o filho de Bolsonaro, corre o risco de morrer na praia do primeiro turno como mero figurante de uma disputa polarizada.
Em política, como na vida, a ausência de alternativas clarifica extraordinariamente a mente.”
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