Flávio Gomes de Barros
Jornalista André Amadei:
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“A Braskem chegou a uma nova etapa de sua reorganização financeira. A petroquímica entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo e busca ganhar tempo para negociar com credores sem interromper suas operações.
A medida acontece após conversas sobre alternativas para reduzir a pressão da dívida. Com isso, a companhia tenta transformar essas negociações em um plano capaz de reorganizar cerca de R$ 54 bilhões em compromissos financeiros.
A crise ganhou força à medida que o endividamento passou a restringir a capacidade da empresa de buscar novos recursos sem aumentar ainda mais o custo financeiro.
A Braskem avaliou diferentes caminhos, como novos financiamentos, aportes dos acionistas controladores e operações com ativos da companhia como garantia.
Ainda assim, as conversas com credores não avançaram de forma suficiente. Parte dos investidores que possui títulos da empresa passou a cobrar mudanças nas condições propostas para a reestruturação.
Entre os principais credores aparecem investidores que detêm títulos de dívida e grandes bancos brasileiros, como Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil, Bradesco e BNDES.
As divergências envolveram tanto os termos financeiros do acordo quanto o grau de influência que os credores teriam nas decisões sobre o futuro da companhia. A Braskem também recebeu propostas de grupos de credores, mas essas sugestões não definiram um acordo.
Antes do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa já buscava proteção judicial para preservar o caixa. No fim de junho deste ano, a Braskem conseguiu uma tutela cautelar de 60 dias que suspendeu determinadas cobranças e execuções.
Durante esse período, cerca de R$ 2,7 bilhões em obrigações com vencimento em julho deixaram de pressionar o caixa de forma imediata. A maior parte desses compromissos estava ligada a títulos emitidos no exterior.
A proteção foi fundamental para evitar que a empresa tivesse que arcar com altos valores em meio à negociação das dívidas com os credores. Além disso, a escolha pela recuperação extrajudicial permite à empresa manter as operações normalmente.
A petroquímica terá de definir as condições da reestruturação, além de conseguir apoio suficiente entre os credores envolvidos. O principal desafio é reduzir a pressão sobre o caixa sem criar novas condições que aumentem ainda mais o peso da dívida.
Se as negociações não avançarem, a empresa poderá enfrentar novamente pressão por uma solução judicial mais eficiente. Por enquanto, a recuperação extrajudicial representa a principal tentativa da Braskem de reorganizar a dívida bilionária.”
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