Assessoria
Durante as férias escolares, o aumento do tempo livre costuma vir acompanhado de uma maior exposição de crianças e adolescentes às telas. Celulares, tablets, videogames e televisão passam a ocupar boa parte da rotina, acendendo um alerta para os impactos desse hábito no retorno às aulas.
LEIA TAMBÉM
A neuropsicopedagoga Mendy Freitas alerta que o prazer imediato proporcionado pelo uso excessivo das telas pode gerar prejuízos significativos na vida escolar de crianças e adolescentes. Segundo a especialista, a dopamina liberada nesses estímulos rápidos tende a causar dependência, afetando diretamente funções cognitivas essenciais, como memória e concentração, além de provocar alterações no sono.
“Esse conjunto de fatores compromete as interações sociais, fundamentais para o desenvolvimento das funções executivas. Como resultado, a criança ou o adolescente volta às aulas mais desatento, impulsivo e pode apresentar maior dificuldade de concentração e aprendizagem”, explica.
Segundo a profissional, a retirada brusca das telas não é a estratégia mais indicada. O ideal é um processo gradual de adaptação, baseado na organização de rotinas e no estímulo a interações sociais. Ela ressalta que promover o contato da criança com outras pessoas, com o meio ambiente e com novas experiências é um caminho eficaz para reduzir, de forma saudável, o tempo de exposição às telas.
Caso os pais encontrem dificuldades ou não obtenham êxito nesse processo, a recomendação é buscar o apoio de um profissional capacitado, por meio do chamado treino parental. “Em resumo, o treino parental não é sobre cobrar mais da criança, mas sobre ensinar os adultos a conduzirem melhor o processo de desenvolvimento, tornando a rotina mais previsível, saudável e favorável à aprendizagem”, destaca a neuropsicopedagoga Mendy Freitas.
PAPEL DA ESCOLA NO RETORNO
No retorno às aulas, a neupsicopedagoga destaca que a escola tem um papel fundamental para tornar esse processo mais acolhedor e produtivo, especialmente por ser um período de maior exposição às telas. De acordo com a profissional, a adoção de atividades lúdicas, planejadas de acordo com a faixa etária dos alunos, contribui para estimular a atenção, a socialização e o interesse pela aprendizagem de forma leve e gradual.
Ela ressalta a importância de respeitar a dinâmica familiar vivenciada durante as férias.“Quando a escola propõe atividades lúdicas e respeita a realidade que a criança viveu em casa durante as férias, ela facilita esse processo de readaptação, tornando o retorno mais tranquilo e produtivo”, orienta.
LEIA MAIS