Veja o passo a passo do esquema usado pelo Master em fundos da Reag

Publicado em 15/01/2026, às 13h10
Fachada do Banco Master - Rafaela Araujo / Folhapress

Folhapress

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A Polícia Federal identificou um roteiro sofisticado de fraude financeira, baseado no uso combinado de crédito bancário, fundos de investimento e operações com ativos de baixa ou zero liquidez para inflar o patrimônio do Banco Master, disfarçar a origem do dinheiro e pulverizar recursos até chegar a laranjas.

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O esquema começaria com empréstimos feitos pelo Master a empresas. Essas companhias aplicavam em fundos da Reag, instituição financeira que tinha até recentemente como presidente e sócio-fundador João Carlos Mansur, um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero e que teve a liquidação decretada pelo Banco Central.

A Reag também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na ocasião, a Reag negou conexão com o grupo do crime organizado.

O BC (Banco Central) identificou uma lista de seis fundos da Reag que teriam atuado no esquema, como revelou a a Folha. A suspeita é que os fundos tinham como donos indivíduos que operavam como laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A defesa de Mansur disse que não teve acesso a investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

ENTENDA O CAMINHO DO DINHEIRO

1º EMPRÉSTIMO

O Master concedia empréstimos a empresas formalmente independentes do banco. No papel, os tomadores não tinham vínculo direto com a instituição financeira, mas, segundo os investigadores, seus controladores faziam parte do mesmo esquema de fraudes.

2º DINHEIRO DIRECIONADO A FUNDOS

Após receber o crédito, a empresa tomadora aplicava os recursos em fundos de investimento administrados pela Reag. Essa etapa era central para deslocar o dinheiro do balanço do banco para o mercado de capitais.

3º CONFORMIDADE APARENTE AO REGULADOR

Nos sistemas monitorados pelo Banco Central, o empréstimo aparecia como uma operação regular, em conformidade com as normas. Isso dificultava a identificação imediata de irregularidades na concessão do crédito.

4º COMPRA DE ATIVOS SEM LIQUIDEZ

O gestor do fundo que recebia os recursos provenientes do empréstimo comprava ativos com baixa liquidez e valor econômico reduzido. Essas aquisições eram feitas por preços muito acima do valor real, o que inflava artificialmente o patrimônio do fundo.

5º LUCRO PARA QUEM VENDIA O ATIVO

Do outro lado da operação, o vendedor do ativo — que tinha pouco ou quase nenhum valor de mercado — obtinha um lucro elevado ao se desfazer dele por um preço inflado. Segundo os investigadores, essa era uma forma rápida e eficiente de movimentar grandes volumes de dinheiro.

6º PULVERIZAÇÃO DOS RECURSOS ENTRE FUNDOS

Em seguida, o vendedor utilizava o dinheiro recebido para investir em outros fundos. Assim, os valores passavam por sucessivas camadas de fundos de investimento, com o objetivo de dificultar o rastreamento do destino final dos recursos.

De acordo com a investigação, o dinheiro acabava chegando a laranjas ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para os investigadores, a complexidade do caminho financeiro não tinha finalidade econômica legítima, mas servia para ocultar a origem e o beneficiário final dos recursos.

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