Vereador do Rio é acusado de assédio por servidores e ex-funcionários

Publicado em 28/03/2022, às 11h35
O vereador do Rio Gabriel Monteiro | Renan Olaz/CMRJ -

UOL

O vereador do Rio Gabriel Monteiro (sem partido), 27, foi acusado de assédio moral e sexual por cinco pessoas ouvidas pela reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida ontem. Influencer com 23 milhões de seguidores e ex-policial militar, ele foi o terceiro vereador mais votado em 2020.

LEIA TAMBÉM

O Fantástico ouviu uma mulher que teve relações sexuais com o vereador. Segundo ela, que não foi identificada, o início da relação foi consentida, mas o ato evoluiu para estupro, porque ela diz que ele não parou quando ela pediu.

"Teve um momento que ele usou força. Me segurou e foi com tudo. Me deixou sem saída. Eu pedindo para ele parar, ele não respeitou o momento em que eu pedi para ele parar." Ela relatou que o vereador riu, disse que era uma brincadeira e pediu para que ela não ficasse chateada.

Ao ser questionada se ela se sentiu abusada, a mulher respondeu ao repórter: "Superabusada. Ele me machucou."

Além dela, a reportagem também ouviu servidores que são ou foram lotados no gabinete de Monteiro na Câmara e todos relataram situações de assédio sexual e moral.

"Carinho em todas as regiões do corpo. Já chegou a pedir também (na região genital, ao ser questionado pelo repórter)", contou Heitor Monteiro, ex-assessor e produtor.

"Começava a fazer alguns atos eu pedia para ele parar e não parava, de mandar eu fazer carinho nele", disse Mateus Souza, ex-assessor e editor.

Luiza Batista, ex-assistente de produção, disse que precisou procurar ajuda psiquiátrica após sete meses de trabalho para o vereador. Além de assédio sexual, ela relatou que o ambiente de trabalho tinha "pressão psicológica, xingamentos e humilhação".

"Ele me abraçava assim por trás, 'te amo' e não sei o que, 'você é minha amiga'. Beijava o meu rosto, saía de pênis ereto e ia mostrar para a segurança", relata.

"Uma vez, foi no carro que ele começou pedindo para fazer massagem no meu pé. Puxou meu pé e fez massagem. Eu tentava tirar o pé e ele segurava. Aí foi começando a passar a mão nas minhas pernas. Foi para o banco de trás e começou a me agarrar, me morder, me lamber", continuou ela.

"Eu queria tirar minha própria vida, porque eu me sentia culpada. Será que estou usando alguma roupa que está causando isso? Será que a culpa é minha de alguma forma? Aí eu começava a pedir a Deus para me levar", disse ainda Luiza. Ela registrou ocorrências.

Um funcionário, que também não quis se identificar, contou que era obrigado a cumprir expediente na casa do vereador, onde também presenciou cenas constrangedoras. "A gente ficava ali na frente e várias vezes ele foi na parte da frente da varanda da casa, e em outros cômodos a gente já viu também, com o órgão sexual para fora. Se vangloriando do tamanho do pênis. E mesmo se masturbando na frente de toda a equipe."

Mateus Souza contou que muitas vezes não tinha tempo para comer durante o período de trabalho, devido aos pedidos de Gabriel, e que em um ano de trabalho foi apenas uma vez à Câmara "para conhecer e tirar uma foto".

Além destas acusações, a reportagem também mostrou que Gabriel forjou cenas de seus vídeos no YouTube, como tiroteios ou ajuda a uma criança carente. No material bruto do vídeo ao qual o Fantástico teve acesso, o vereador é visto orientando uma criança a dizer que está sem comida. Na versão editada, publicada nas redes sociais dele, ele leva a menina ao shopping e ela diz que está "comendo o que mais gosta".

Procurado pelo Fantástico, o vereador negou irregularidades. "Eu não cometi estupro contra ninguém. É mais uma tentativa de acabar com Gabriel Monteiro." Sobre as agressões e xingamentos, ele diz que tem relações "praticamente" familiar com os funcionários.

Gabriel também negou ter forjado cenas de seus vídeos e, sobre a gravação com a criança, disse que ela "recebeu a maior vaquinha da vida dela".

Em nota à TV Globo, o Conselho de Ética da Câmara do Rio informou que "tomou conhecimento dos fatos pela reportagem e aguarda ter acesso ao material para se reunir e analisar o conteúdo das imagens para decidir que providencias serão tomadas".

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado Valdemar reforça confiança política em JHC