Vídeo: suspeito diz que músico pulou de prédio após surto psicótico por uso de álcool e remédio

Publicado em 19/01/2026, às 16h00
Veja depoimento do músico preso por suspeita de matar colega em apartamento, na Jatiúca - Reprodução

TNH1

Preso por suspeita de homicídio na morte de Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, o músico Rudson de França Moura contou, em depoimento à Polícia Civil, que Abdon teria pulado do apartamento de um prédio, supostamente após ter entrado em surto psicótico por consumir vodca e remédio em gotas. A afirmação foi gravada na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde desse domingo, 18, em Maceió, menos de 24 horas depois de Abdon ser encontrado morto no térreo do edifício onde morava, na Jatiúca. O TNH1 teve acesso ao registro.

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A Justiça de Alagoas decretou, na tarde desta segunda-feira, 19, a prisão preventiva de Rudson.

Rudson e Abdon eram amigos e trabalhavam como músicos. Rudson contou que recebeu o convite para morar no apartamento de Abdon e que, no sábado, 17, estavam consumindo bebida alcoólica ao lado da namorada de Rudson e da irmã dela, que estava responsável por duas crianças, até o momento em que houve a confusão, entre 19h e 20h. 

"É o seguinte, o Abdon é músico daqui de Alagoas, que conheço há mais de 20 anos. Estava passando por processos [...] Maria da Penha, já teve processo de agressão, já agrediu outras pessoas, ele queria retomar ao trabalho de músico aqui em Maceió. Ele estava morando no apartamento sozinho, ele queria que eu morasse com ele. Eu fui lá um dia antes, vi meu quarto, vi minhas coisas. A gente detalhou o valor, que seria de R$ 1 mil para morar lá. Eu queria conhecer, dormir uma noite, ver como era. No dia seguinte, decidi chamar minha namorada Erika, a irmã dela junto com as filhinhas", disse Rudson.

Alguns trechos da gravação apresentam interrupção de áudio, por este motivo não é possível compreender algumas sequências de falas do depoimento. Veja no vídeo abaixo. 

"Foram todos. A gente comprou vodca. Tem um remedinho lá [...] Que é líquido, que ele fica tomando direto. Com isso de tomar direto e tomando vodca, teve uma hora que ele surtou de uma forma exacerbada. Ninguém entendeu nada, não teve motivo. Ele pegou um punhal, me ameaçou e disse que ia me matar. Perguntei por que ele ia me matar. Pedi para ele botar a faca para trás [...] Quando eu levei esse murro, quebrei o violão dele. Ato de raiva e tal. [...] As meninas começaram a chorar, as crianças também. Quando eu disse para elas irem embora, ele começou a chorar, marcou carreira e pulou do prédio".


"Logo depois disso, o vizinho dele desceu comigo e começou a ligar para o Samu. Quando vi aquela cena, não tenho nem palavras para expressar o que vi. Ele lá no chão...". 

Em entrevista à TV Pajuçara, a delegada Tacyane Ribeiro, coordenadora da DHPP, afirmou que as primeiras apurações apontam que Abdon teria ficado irritado ao ver o suspeito se relacionando no quarto com a mulher que ele estava ficando. As duas mulheres que acompanhavam Abdon já prestaram depoimento à polícia e confirmaram a versão do ciúme. Outras pessoas ainda devem ser ouvidas antes da conclusão do inquérito.

Rudson sustentou a versão de que a mistura de álcool e medicamento provocaram um suposto surto em Abdon. 

"Foi um surto psicótico. Ele pegou uma faca e queria me atingir. Ninguém falou nada com ele. Ninguém destratou. O remédio bateu junto com a cachaça, o cara pegou um punhal e queria me... Ele surtou mesmo. Durou mais ou menos uns cinco minutos, foi tudo muito rápido. As meninas estavam lá e eu não queria que elas vissem aquela situação de uma pessoa, sei lá, 'demoniada', louca, né? Assim que as meninas saíram... Não sei se foi arrependimento que ele teve, se viu meu olho desse jeito (machucado) sem merecer, e ele se jogou. Ele marcou carreira e se jogou", declarou Rudson no depoimento.

Abdon Neto era músico e tinha 41 anos (Foto: Reprodução)

 

Questionado pelo agente da Polícia Civil que conduzia a interrogação se havia algo que queria falar, Rudson pediu que fossem feitos exames no corpo de Abdon.

"Não sei se é possível, já que eu estou sendo suspeito, quero que vejam se tem alguma marca ou lesão nele. Porque se eu o joguei da varanda, alguma pegada tem (marca nos braços/corpo). Queria que vocês fizessem isso para ver. Saber de exame, alguma coisa. Tem remédio na casa dele, tem remédio nas gavetas, ele usava remédio como se fosse uma diversão. E junto com o álcool, bateu. Tomamos duas vodcas. Ele surtou de uma forma exacerbadíssima. Eu queria que fizessem exame nele para ver se tem alguma marca de agressão ou alguma coisa".

Ainda no depoimento, o suspeito respondeu que não houve luta corporal - apenas o soco desferido por Abdon -, que não conseguiu ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pois o celular tinha descarregado, mas que presenciou quando vizinhos acionaram o socorro. Disse também que não permaneceu no local porque ficou transtornado com a situação, que ficou andando pelas ruas da região até ir para a casa da mãe e, posteriormente, para a casa da namorada, onde foi preso no dia seguinte. Rudson negou que tivesse consumido remédio durante consumo de bebida alcoólica. 

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