Estado de Minas
Um vídeo que compara a paisagem da entrada da Rota do Mar, em Maceió (AL), antes e depois da construção de um edifício de grande porte, viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os impactos da verticalização na capital alagoana.
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O vídeo mostra o mesmo enquadramento da chegada à cidade em dois momentos distintos: um registro feito em 2025, quando a vista era marcada pelo horizonte, pelo mar e pelas encostas, e outro mais recente, no qual um prédio de grande altura passa a ocupar parte significativa da paisagem.
As imagens foram publicadas pelo perfil Viajante pelo Nordeste, com registros feitos pelo perfil Tour Alagoas. A comparação rapidamente acumulou visualizações e gerou centenas de comentários, principalmente de pessoas que lamentaram a mudança no cenário.
"Deviam ter vergonha de fazer uma atrocidade dessa. Achei até que existissem leis que proibissem prédios tão altos. Que tristeza", escreveu uma internauta. "Pelo amor de Deus, como autorizam uma construção dessa? Acabam com uma vista linda que todos podiam contemplar em benefício de poucos”, escreveu outro.
A repercussão do vídeo ocorre em meio a uma discussão cada vez mais frequente sobre a verticalização da orla de Maceió. Moradores apontam que a construção de edifícios altos em bairros como Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e também no Litoral Norte tem provocado mudanças significativas na paisagem da cidade.
Entre as principais críticas estão o bloqueio da ventilação natural, o aumento das sombras sobre a faixa de areia em determinados horários, a alteração da identidade visual da orla e a pressão sobre a infraestrutura urbana, como trânsito e rede de saneamento.
Por outro lado, defensores desse modelo de crescimento afirmam que os empreendimentos impulsionam a economia, atraem investimentos e contribuem para a valorização imobiliária.
Ministério Público acompanha grandes empreendimentos
A expansão imobiliária na região tem sido acompanhada pelo Ministério Público de Alagoas. Em outubro de 2025, a Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público e suspendeu a construção de um empreendimento de 20 andares previsto para o bairro de Guaxuma, no Litoral Norte da capital alagoana.
A decisão determinou que a obra só poderá prosseguir após a apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), documento que avalia os efeitos de grandes construções sobre aspectos como mobilidade urbana, serviços públicos, adensamento populacional e qualidade de vida. Segundo o promotor de Justiça Jorge Dória, responsável pelo caso, a exigência busca garantir que o crescimento urbano ocorra de forma planejada e respeite a legislação ambiental e urbanística.
Em janeiro daquele ano, o Ministério Público já havia recomendado à Prefeitura de Maceió a suspensão da emissão de licenças para grandes edifícios até que os estudos exigidos fossem apresentados.
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